DE SÃO PAULO
No domingo, um dos maestros mais importantes do século 20 rege Mozart na Coleção Folha Grandes Óperas. À frente da Filarmônica de Viena, Herbert von Karajan (1908-1989) dirige "A Flauta Mágica", o quinto volume da coleção.
Nascido em Salzburgo, cidade natal de Mozart, o austríaco Karajan foi a figura mais poderosa da música clássica na Europa entre a década de 1960 e seu falecimento.
Regendo sempre de cor, sem consultar qualquer partitura e fechando os olhos durante a execução musical, dirigiu a Filarmônica de Berlim por 35 anos, consolidando-a como a melhor orquestra do planeta.
Também foi bastante ativo no setor fonográfico. Desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da tecnologia do CD, e suas inúmeras gravações fizeram-no uma espécie de campeão de vendas no setor erudito, com estimativas chegando a 200 milhões de cópias comercializadas.
Sua primeira gravação, em 1938, foi justamente a abertura da ópera "A Flauta Mágica", que ele gravaria na íntegra mais tarde.
A gravação da Coleção Folha reúne cantores que eram a nata da Ópera de Viena na década de 1950, como o tenor esloveno Anton Dermota (Tamino), a soprano alemã Irmgard Seefried (Pamina), o barítono austríaco Erich Kunz (Papageno) e a também austríaca Wilma Lipp, soprano encarregada de cantar as difíceis e agudas árias da Rainha da Noite.
MAÇONARIA
Um dos meninos-prodígios mais assombrosos da história da música, Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), austríaco de Salzburgo, começou a compor aos cinco anos de idade.
Na época de sua morte precoce, aos 35, compusera mais de 600 obras, em todos os gêneros praticados naquele tempo --incluindo 22 óperas.
Mozart era membro da maçonaria, assim como o ator Emanuel Schikaneder (1751-1812), que escreveu o libreto da ópera, além de cantar o papel cômico de Papageno.
Não surpreende, dessa forma, que "A Flauta Mágica" faça uma série de alusões a códigos, alegorias e ritos maçônicos.
A trama está ambientada no Egito Antigo, onde o jovem Tamino, auxiliado pelo amigo Papageno, tem de superar uma série de provas e derrotar as artimanhas da Rainha da Noite para se mostrar digno de merecer o coração de sua amada Pamina.
Desde a estreia, em Viena, no último ano de vida do compositor, no Theater auf der Wieden, "A Flauta Mágica" conseguiu enorme sucesso de público e crítica devido à proeza de ser um espetáculo "popular", de comunicação direta com o público, sem abrir mão do rigor e da sofisticação.
"A Flauta Mágica" tem elementos tanto para cativar o "leigo" quanto para garantir a admiração do especialista.
quinta-feira, 3 de março de 2011
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