segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Folha - Pop Tecla Sap
Novos nomes do pop brasileiro cantam só em inglês e adotam estilo de ídolos gringos; eles dizem sofrer preconceito do mercado
CHICO FELITTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Lu Alone estava sozinha na categoria melhor cantora do Prêmio Multishow 2011, na semana passada. Era a única finalista que só cantava em inglês, competindo com lusófonas como Pitty, Maria Gadú e Ana Carolina.
A mineira de 18 anos não levou o troféu (a sertaneja Paula Fernandes ganhou), mas a indicação por voto público já é um marco para uma geração novíssima do pop: uma leva de brasileiros que só canta em inglês.
"Eu fui alfabetizada em inglês. Então é mais difícil compor e cantar em português", justifica Alone à Folha.
Isso porque ela morou nos EUA com a família antes de se mudar para Belo Horizonte, ainda criança.
Trouxe o estilo de cantar de crias da Disney como Demi Lovato e Miley Cyrus. "Eu me identifico demais com a Demi. De-mais."
Quem ouve o CD da brasileira, que vendeu 15 mil cópias, também identifica muito o estilo da americana.
As músicas soam como a versão que Lu faz de "Sugar Sugar", rock doce escrito em 1969 para ser música do desenho "Archie". Cantada por ela, é uma simulação de rebeldia (de chapinha feita) para teen ouvir.
O segundo CD, que vem até o fim do ano, "vai ser no mesmo estilo", adianta Lu.
DISNEY BRASILEIRA
Justin Timberlake é outro ex-Disney em que se referencia a onda pop "brasinglês".
"Eu quero ser como ele", diz Rickkie, 27, que divulgou na última terça, na internet, a música "December 13th" e em novembro lança o álbum com mesmo nome.
Rickkie é o nome artístico de Rick Garcia, neto da cantora do rádio Isaurinha Garcia, diva dos anos 40.
Ele abandonou o sobrenome famoso em nome da carreira internacional. "Facilita a pronúncia em inglês."
Mas, se americanizar não é tarefa fácil, garante o ex-ator global das novelas "Malhação" e "Eterna Magia".
"É muito trabalho, porque na 'house music' de verdade, lá fora, é tudo ensaiado." E os ensaios são baseados em exibições de ídolos como Madonna. "Tudo é inspiração, né? Ninguém cria do nada."
Rickkie contratou Sylvio Lemgruber, coreógrafo da "Dança dos Famosos", do "Domingão do Faustão", para três horas diárias de aula.
Ele conta com bombado corpo de dança, formado por oito bailarinas profissionais.
"Os dançarinos são mais importantes do que a banda", concorda o cantor Torino, 22.
Torino é o nome artístico desse araçatubense que há dois anos veio para São Paulo se lançar como cantor na esteira de Lady Gaga.
Como Gaga, ele faz shows em que mistura voz distorcida com piano, dança em performances loucas e tem um guarda-roupa feito de vinil.
O CD de estreia está pronto. "Vai ser um sucesso, quando lançado. Mas quero que seja num esquema mundial."
"O Brasil tem preconceito com artistas daqui cantando em inglês", afirma Lu Alone, "mas a gente está quebrando isso". "Só gostam de sertanejo", diz Rickkie. Ao que Torino ecoa:
"Oh, yeah!".
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