terça-feira, 25 de maio de 2010

JT - Martinho homenageia poeta da Vila

Jornal da Tarde

No centenário de Noel Rosa, Martinho da Vila lança disco com as composições do poeta
No ano do centenário de Noel Rosa, não vão faltar homenagens para o Poeta da Vila. Se estivesse vivo, ele iria completar 100 anos no dia 11 de dezembro. E o primeiro a celebrar a data é Martinho da Vila, nascido e criado no mesmo bairro de Noel, a Vila Isabel, no Rio de Janeiro. O cantor carioca lança neste mês, pela gravadora Biscoito Fino, o álbum Poeta da Cidade - Martinho Canta Noel. “Temos uma ligação direta por causa do bairro. Foi Noel quem imortalizou a Vila, numa época em que Unidos de Vila Isabel nem existia. Por outro lado, eu imortalizei o Carnaval da escola de samba”, diz Martinho. Ele entrou de cabeça, também este ano, em outro projeto: tornar-se um imortal. Sua candidatura à vaga na Academia Brasileira de Letras já foi enviada oficialmente (leia ao lado).
De volta à música, o novo disco sai com 14 canções, a maioria pouco conhecida do público. Martinho conta que a escolha do repertório teve apenas um critério: priorizar as canções que Noel compôs sozinho - letra e música -, exceto Filosofia, feita em parceria com André Filho. “É igual roupa de mulher. Como elas têm milhares de sapatos e vestidos, demoram muito para se vestir. Para não demorarmos a escolher o repertório, optamos pelas músicas que Noel Rosa compôs sozinho”.
Para este trabalho, Martinho convidou cantoras novas. Aline Calixto divide os vocais em Fita Amarela; Patricia Hora, em Três Apitos; Ana Costa, em Século do Progresso, e Maira Freitas - filha de Martinho -, em Último Desejo. “Minhas duas filhas cantam comigo no disco. A Mart’nália, que já é experiente, e a Maira, de 24 anos, que está fazendo sua estreia no mundo musical”, diz.
A ideia, com esse trabalho, não era lançar um álbum de carreira. “Era para o disco sair encartado num livro em homenagem a Noel. Só que ele ficou pronto e o livro não. Então, lançamos assim mesmo”, diz. “Acho que conseguimos fazer uma leitura um pouco diferente. Noel já foi tão regravado que fica difícil fazer algo que ainda não foi feito”, declara.
Martinho da Vila aponta o produtor Rildo Hora como o principal responsável por dar esse toque especial às canções. Hora trabalhou por mais de dez anos nos álbuns mais importantes da carreira de Martinho. Outra parceria é com o artista plástico Elifas Andreato, que assina a capa do disco. Nela, percebemos Martinho na penumbra e impresso por cima, em verniz, os traços do perfil de Noel, criando um efeito bem interessante. O cantor conta que ainda não tem planos para lançar DVD com essas composições, mas que já estuda montar um show em homenagem a Noel.

Lançamento
Martinho da Vila homenageia nesse disco Noel Rosa, por causa do centenário de nascimento do músico. Martinho gravou canções menos conhecidas do compositor, como ‘Minha Viola’, ‘Rapaz Folgado’ e ‘Três Apitos’.

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