PEDRO ANTUNES
Ele foi apelidado de Morrissey negro. A semelhança na voz, a melancolia das letras, de fato, lembram o cantor inglês. Mas o dominicano George Lewis Jr., 28 anos, não gosta muito da alcunha. E a resposta sobre a semelhança – não física, evidentemente – é ríspida. “Acho que ele canta como eu”, diz ele, do outro lado da linha. A reportagem ri e ele continua: “Acredito que ele tenha uma máquina do tempo”, brinca o cantor.
No palco, George se transforma em Twin Shadow, seu nome artístico. Ele se apresentou em São Paulo na semana passada, na festa Puma Social Club, realizada no Estúdio Emme. No palco, surgiu um sujeito de bigode, estatura média, vestindo uma jaqueta de couro sobre uma regata, e chapéu. Acompanhado de outros quatro músicos, no baixo e sintetizador, bateria e teclado. Para começar, ele engatou Shooting Holes, uma das mais tocantes do disco Forget, sua estreia, lançado em 2010. Com cerca de mil pessoas cantando e pulando sem parar.
Twin Shadow é o novo queridinho entre os indies americanos. Seu primeiro álbum emula uma chama oitentista new wave que tem criado um verdadeiro incêndio na cena musical. Sua força foi tamanha que seu nome foi listado para se apresentar no disputadíssimo Festival Coachella, na Califórnia (EUA), em abril deste ano. E, vejam bem, o CD Forget foi lançado em novembro do ano passado, ou seja, há apenas 6 meses.
Nascido na República Dominicana, aos 2 anos o músico foi com os pais morar em Miami, nos EUA. Aos 23, nova mudança, agora para o Brooklyn, bairro polo da efervescência musical de Nova York e, consequentemente, mundial. “Eu queria ficar perto de pessoas novas, que se vestem bem. Isso era algo que eu queria”, explica Twin Shadow, por telefone, aqui de São Paulo. O músico veio para a cidade num espaço entre duas apresentações em grandes festivais: ele tocou no Sasquatch Music Festival (localizado nas proximidades de Seattle), no dia 20 de maio, e volta para os Estados Unidos para show no Bonnaroo Festival, dia 9, no Tennessee.
Após o show de uma hora de duração, o JT entrou no backstage e trocou algumas palavras com Shadow, antes da entrevista previamente marcada para sexta, à tarde. Simpático, ele disse que não costuma escrever um set-list de músicas, enquanto recolhia do palco – ele mesmo – o equipamento usado no show.
Apesar do pouco tempo de carreira como Twin Shadow, ele já abriu shows de artistas como The Strokes e Jamie Cullum. No segundo semestre, entrará em turnê com a nova musa indie do momento, Florence & The Machine. “Isso é incrível. Estamos felizes e esperançosos. Florence é ótima. Quero aprender com ela”.
A velocidade com que as coisas acontecem com Twin Shadow, porém, não assusta. “Não tenho medo de estar indo muito rápido. Acho que não existe o rápido o bastante, isso sim”, garante. O que assusta o músico é ver as músicas compostas na solidão do seu quarto, em sua maioria tristes, cantadas pelo público. “Ainda preciso lidar com isso. A música deixa de ser minha. Passa a ser de todos”. ::
segunda-feira, 6 de junho de 2011
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