quarta-feira, 5 de maio de 2010

JT - Aqui tem um bando de músicos

Jornal da Tarde

Grupo Chá de Boldo lança primeiro disco, 'Bárbaro'. Eles dizem que não são uma banda, mas um bando.
Guitarra, cavaquinho, baixo, saxofone, trompete, clarinete, percussão, bateria e vozes. Esses são os instrumentos que a trupe Chá de Boldo precisa para fazer um som que seus próprios integrantes consideram “meio difícil de definir”. Na realidade, a música da trupe é samba e a forma como eles se organizam lembra a da Orquestra Imperial: muitos músicos e diferentes cantores, para fazer MPB contagiante e de qualidade.
No total, são 12 componentes, que estão juntos há cinco anos. Agora, depois de firmarem o nome na noite paulistana e já terem um bom cartel de canções próprias, eles lançam o primeiro trabalho autoral, o CD Bárbaro. Nada no grupo é decidido individualmente. Segundo o baixista Felipe Botelho, eles não gostam de se identificar como uma banda e sim como um bando. “As afinidades de cada um vão aflorando dentro do grupo”, diz ele.
Ele não fala isso da boca para fora. O que ficou evidente nas entrevistas desta reportagem. Felipe não quis falar sozinho. Pediu um tempo, chamou cinco integrantes (Gongon, Rayrai, Tomás Bastos, Gustavo Cabelo e Gustavo Galo) que estavam próximos e colocou o telefone no viva voz. Eles só falam com a imprensa se for assim. “Aqui, somos todos iguais. Não há um chefe”, afirma.

Amigos de colégio

Por incrível que pareça, eles têm poucas desavenças, o que seria natural dentro de um grupo formado por 12 pessoas. A maior dificuldade deles é outra: conseguir reunir todo mundo para ensaiar. “É muito difícil nos reunirmos duas vezes por semana”, conta Felipe. Boa parte da turma já se conhecia antes de formar o Chá de Boldo. “Estudávamos juntos no mesmo colégio e na faculdade”, destaca o baixista.
Numa banda pouco ortodoxa, nada mais natural do que uma capa de CD também fora dos padrões. Para a foto que ilustra o álbum, eles convidaram alguns amigos que aceitaram aparecer nus, pulando um muro. “Como é o nosso primeiro disco, essa é a forma como nos sentimos: pelados. Queremos mostrar que não vamos ficar em cima do muro e vamos invadir a cidade”, explica. O nome da banda, Chá de Boldo, também traz uma explicação cheia de significado. “Foi no ano novo. Estávamos todos de ressaca. Precisávamos de algo para curá-la e nada melhor do que chá de boldo”, lembra o baixista. “Daí, pensamos que esse seria um bom nome, já que fala de algo que proporciona um efeito curativo.”
O disco, gravado de forma independente, é distribuído pela Tratore. Os destaques são as canções Chega de Tristeza, Sai Emo, Bárbaro e Na Tua. Outra prova da forma coletiva de administrar a banda: nenhum deles faturou R$ 1 sequer, durante um ano. “Nesse período, todo o dinheiro que ganhávamos era poupado para pagar a gravação do CD”, diz.

LANÇAMENTO
Chá de Boldo
Tratore
Preço: R$ 20

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