terça-feira, 4 de maio de 2010

JT - Mudhoney volta junto ao grunge

Jornal da Tarde

Banda de Seattle toca em São Paulo, em meio ao retorno de grupos que iniciaram o movimento.
Voltar ao passado é um exercício que o rock costuma fazer de tempos em tempos. Subgêneros que nasceram desde que Elvis rebolou pela primeira vez - e defraudou uma revolução na década de 50 - costumam ser revisitados por novos nomes e ganhar espaço com retornos de artistas clássicos. Punk, pós-punk e os anos 80 já tiveram sua dose de revival. O grunge sai na frente em 2010 como a bola da vez.
Com o retorno do Soundgarden no festival Lollapalooza, nos dias 6 e 8 de agosto, o estilo de camisas de flanelas, coturnos e bermudas recebe a peça necessária para trazer de volta as guitarras pesadas e arrastadas. São Paulo poderá sentir essa lufada quente e empoeirada com o show que a banda Mudhoney fará no final do mês em São Paulo, na Clash Club. Patinho feio do estilo nascido em Seattle (maior cidade do estado americano de Washington), o grupo, liderado pelo sempre simpático e bonachão Mark Arm, aterrissa pela quarta vez no País para fazer o que Arm considera um hobby: tocar. “Todos nós temos nossas profissões. Eu, por exemplo, gerencio o armazém da (gravadora) Sub Pop. Neste exato momento, por exemplo, estou falando aqui na gravadora”, disse ele, ao telefone.
Dos demais integrantes, Arm aponta o baixista Guy Maddison como o mais atarefado, pois trabalha na UTI do hospital da cidade. “Para mim, é fácil sair daqui. Os donos da gravadora até gostam, pois acabo divulgando os CDs”, declara Arm. Entre os oito discos lançados pelo Mudhoney, cinco são da Sub Pop.

13 anos depois

Arm diz que assistiu ao show secreto que o Soundgard fez no dia 16 de abril, em Seattle - quando usou o nome Nudedragons -, como forma de aquecimento para o retorno em agosto. “Gostei do que vi. Mas ainda não consegui falar sobre esta volta com o Kim (Thayil, guitarrista), que é muito meu amigo”. O Soungarden não tocava junto havia 13 anos. Em Seattle, bandas seminais, como Green River e Mother Love Bone, estão fazendo shows esporádicos e ensaiando retornos. Arm, o primeiro a cunhar o termo ‘grunge’ num fanzine, nos idos de 1981, não acredita e nem quer o retorno do estilo agora. “As pessoas têm me perguntado sobre uma suposta volta do grunge, mas não acho que a garotada queira tocar o som que fazíamos no início dos anos 90 e nem vejo o porquê disso”, diz. “O Mudhoney, por exemplo, mesmo tocando pouco, nunca parou. O Pearl Jam também não. As bandas que retornaram, como Alice in Chains e Soundgarden, têm um propósito diferente. Mas não acredito num retorno do estilo como um todo”. Arm, que começou a tocar no início dos anos 80, viu o fenômeno Nirvana acontecer na sua frente, em 1991, e sempre fala de Kurt Cobain (1967-1994) como “um cara tímido e caladão”.
Para o show que apresentará em São Paulo, no dia 21, na Clash Club, ele diz que não trará grandes surpresas: “Tocaremos músicas de todos os discos. Costumamos colocar canções mais pesadas, no estilo do nosso último disco (The Lucky Ones, de 2008) e de Superfuzz Bigmuff (primeiro e clássico álbum de 1988, uma espécie de cartilha de como tocar o grunge). Depois desse show, a banda tocará, ainda, na Virada Paulista, nos dias 22 e 23; em Mogi das Cruzes, no dia 22; e em São José do Rio Preto, no dia 23.

DIVIRTA-SE
Mudhoney. Clash Club.
R. Barra Funda, 969. Dia 21 de maio, às 21h. R$ 50. Vendas: Chilli Beans Shopping Morumbi e Shopping Paulista e www.ticketbrasil.com.br

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