quarta-feira, 12 de maio de 2010

JT - Música para ET ouvir. Ou não

Jornal da Tarde

Em seu oitavo CD, Jorge Vercillo fala de orixás, energias cósmicas e extraterrestres.
Já vai longe aquele Jorge Vercillo de Monalisa, comparado a Djavan e que buscava uma identidade no meio do mar da MPB. Mais de 15 anos de carreira e sete discos lançados, Vercillo chega ao oitavo mudando o discurso e adentrando um assunto polêmico: a ufologia. Na conversa que o JT teve com o cantor carioca, por telefone, o tema circundou boa parte das respostas.
Mesmo o título do novo trabalho, D.N.A., traz para Vercillo a lembrança do “portal 11.11.” e questões como a abdução e códigos genéticos. “Descobri que minhas músicas sempre serviram para esse propósito”, revela o cantor. “Canções como Todos Nós Somos Um e Elas Unem Todas as Coisas já traziam letras que combinavam com a lei da atração, poderiam ser usadas para explicar a canalização extraterrestre”. Para melhor entender suas teorias, Vercillo indica o texto, A Glândula Pineal, de Sérgio Felipe de Oliveira. “Tenho indicado esse texto no meu Twitter, no meu blog. Acho interessante mostrar para as pessoas este meu outro lado”, conta.
No disco, o cantor e compositor das 12 músicas do CD destaca o samba Verdade Oculta e Ventos Elísios. As duas tratam de tolerância. A primeira fala de religiões, orixás, ETs, avatares e de um casal que tem de enfrentar a diferença de crenças fundamentadas na religião. A segunda passeia, segundo o cantor, pelo tema da energia do mundo cósmico, aponta a lei da atração e a “evolução vibracional” da raça humana - o que quer que isso signifique.

Parcerias

Em D.N.A., Vercillo traz um de seus ídolos para o seu lado na faixa de abertura. Milton Nascimento o presenteia com um dueto em Há de Ser. “Quis colocar um clima bem no estilo Clube da Esquina. Foi um prazer e um privilégio ter o Milton como convidado”. Sua esposa, Gabriela Vercillo, é sua parceira na faixa Memória do Prazer, a primeira vez em que o casal escreve a quatro mãos. Nela, Jorge faz um dueto vocal com Ninah Jo. “Escrevemos essa música pensando num dueto, e a Ninah, uma cantora do Paraná de quem eu sou fã, casou perfeitamente.”
Ele ainda escolheu duas regravações de músicas suas que foram parar, antes, em vozes conhecidas da MPB. Uma de Maria Bethânia (O Que eu Não Conheço) e outra de Ana Carolina (Um Edifício no Meio do Mundo). “Escrevi essas canções para elas, mas achei importante inseri-las no meu novo trabalho”. A balada Deve Ser vem como bônus e já pode ser ouvida na trilha sonora da novela Viver a Vida.
Vercillo, hoje aos 41 anos, diz sentir-se com 30. “Nasci em 1968. Então, teria de ter 41 anos, mas quero ter 30. Nós temos a idade que queremos ter, certo?”
Sobre o grupo de compositores que trafega nas noites cariocas, ele destaca Dudu Falcão e Maria Gadú, e ainda cita Ivan Lins como forte influência na sua música. “Mas sou de todas as tribos, menos a do preconceito. Gosto das diferenças”. Quando perguntado sobre as comparações com Djavan, ele retruca: “Você é a primeira pessoa a me perguntar isso hoje. E olha que já são cinco da tarde. É claro que o Djavan foi uma grande influência para a minha carreira, assim como o Caetano Veloso, o Milton Nascimento. Mas essa é uma questão já batida e esclarecida. Sou filho da MPB.”
ETs, orixás, forças que trafegam nosso corpo, energia cósmica. O novo Jorge Vercillo foi atrás do desconhecido para fazer surgir seu mais novo CD. No próximo dia 30, quando o cantor lançará seu disco em São Paulo, no Via Funchal, será possível entender um pouco mais dessa espiral. Ou não.

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