DE SÃO PAULO
Dezessete meses após ser demitido da direção da Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), por desentendimento com o então governador José Serra, o maestro John Neschling estreia novo trabalho no Brasil.
Trata-se de "O Barbeiro de Sevilha" (1816), peça que marca também o primeiro trabalho da Companhia Brasileira de Ópera.
"Tentei encontrar algo que o Brasil precisasse, e não era outra Osesp. Daí essa ópera", diz Neschling, que hoje rege orquestras em vários países da Europa como free-lancer.
A ópera estreia em Belo Horizonte no dia 24 e passa, até novembro, por 15 cidades brasileiras. A companhia é um esforço conjunto do maestro com o diretor-executivo José Roberto Walker, ex-gestor financeiro da Secretaria de Cultura do Estado nos anos 90 e um dos responsáveis por trazer Neschling para a Osesp em 1996.
A ideia foi adotada pelo Ministério da Cultura, que pagou metade dos R$ 10,4 milhões exigidos pelo projeto. O resto foi bancado pela Petrobras e pelo BB.
"A relevância cultural de nosso trabalho agora será avaliado pela opinião pública", diz Walker. "Espero que possamos fazer outra montagem no ano que vem, independente do partido que estiver no governo."
A preocupação é natural, já que, demitido pelo PSDB, Neschling e Walker encontraram agora refúgio no governo federal do PT.
Situação que pode ser invertida nas eleições deste ano. "Não tenho nada contra o PSDB, meu problema é com o Serra", diz Neschling. "Sou um artista. E será desastroso para a área cultural se ele for eleito presidente."
Figaro, Figaro, Figaro
"O Barbeiro de Sevilha" terá 85 récitas, a maioria com duas horas e meia (algumas são para o público infantil).
A companhia conta com 50 músicos e 24 cantores, que vão se alternar nas viagens. "Não foi possível fazer contratos fixos, ainda não temos estrutura para isso", diz Walker. Como cenário, uma tela reproduz um desenho animado com os personagens da ópera, que ganham vida e se materializam no palco. Os ingressos vão de R$ 1 a R$ 84.
"Embora poucos saibam, sou regente de ópera", diz Neschling. Antes da Osesp, o maestro dirigiu casas de ópera na Suíça e na França.
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