Jornal da Tarde
O destino fez com que os caminhos dos maestros Roberto Duarte, 68 anos, e Emiliano Patarra, 38, se cruzassem em diferentes momentos de suas vidas. Primeiro, como professor e aluno, nas salas de aulas. Agora, como colegas, à frente da nova Orquestra do Theatro São Pedro, que estreia temporada hoje, para convidados, e amanhã, para o público, com concerto em homenagem à obra do compositor brasileiro Carlos Gomes, com trechos de Il Guarany, Lo Schiavo e outros.
Para Duarte, responsável pela direção musical da orquestra, e Patarra, regente titular dela, o que ficou da relação entre mestre e aprendiz foi o respeito, o carinho e a identificação nos princípios. “Por um lado, entendemos que o músico é um ser humano. Do outro, é preciso trabalhar com seriedade, dedicação e organização”, observa Patarra.
Com 44 anos de carreira, Roberto Duarte conta que, salvo algumas exceções, é possível perceber quando o aluno terá um futuro promissor. Ele teve essa percepção em relação a Emiliano Patarra. “Ele sempre me pedia conselhos. Uma das orientações que dei foi para que ele montasse uma orquestra amadora”, lembra Duarte. Foi o que o jovem regente fez em dezembro de 2003, ao fundar a Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos. “Como o País tem poucas orquestras, é preciso ter persistência e talento. Fico orgulhoso dele. E, agora, estamos atuando juntos numa orquestra”, emenda o maestro veterano. Apesar de se conhecerem desde que Patarra ainda era um rapazote, estudava viola e se interessava por regência, e que Duarte já era um maestro consagrado, este é o primeiro projeto no qual a dupla trabalha junta. “Quando a Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA) decidiu criar a orquestra do Theatro São Pedro, uma comissão artística listou alguns nomes de regentes e nós dois fomos lembrados”, lembra Patarra.
De início, o maestro Duarte foi convidado para o projeto. Ele aceitou, mas disse que precisava de alguém para ajudá-lo na empreitada. E o escolhido pelo experiente regente foi justamente Emiliano Patarra. trabalhar ao lado de alguém. Ele indicou meu nome, que, “Por coincidência, meu nome já estava sendo cogitado pela comissão da APAA”, diz Patarra.
A boa relação entre os dois contribuiu para que o processo de montagem da orquestra fluísse bem e que todas as decisões fossem tomadas rapidamente – com opiniões e sugestões vindas de ambas as partes e acatadas de comum acordo. “Hoje, somos colegas. Então, se eu não concordo com algo, eu falo”, conta Patarra.
A tarefa desses maestros não foi fácil. Depois de receberem o convite para se juntar ao novo projeto, no final do ano passado, eles tiveram, primeiro, de elaborar a temporada inteira de 2010, sempre tendo como foco a ópera. Feito isso, abriram, em março, as inscrições para os candidatos interessados em fazer parte do grupo. Foram 613 inscritos.
Segundo contam os maestros, o modelo de seleção adotado foi o mesmo aplicado na formação de orquestras na Europa. Ou seja, eles só souberam os nomes, a formação e, enfim, o histórico dos candidatos depois de sair a lista dos 54 músicos selecionados – menos de 10% dos inscritos. Os candidatos enviaram CD com seu material e, depois, passaram por um teste presencial. Sempre no anonimato. Os músicos da nova orquestra – com idades entre 20 e 30 e poucos anos – assumem hoje seus lugares nas flautas, clarinetes, trompetes, tubas, violas, violinos, entre outros instrumentos. Para Roberto Duarte e Emiliano Patarra, hoje tem início, oficialmente, sua primeira parceria. Que, se depender deles, será duradoura.
DIVIRTA-SE
Orquestra do Theatro São Pedro.
Concerto de estreia. Hoje, às 20h30 (convidados) e amanhã, às 20h30 (público). Theatro São Pedro (R. Barra Funda, 171. Tel.: 3667-0499). R$ 20 e R$ 10.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
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