Jornal da Tarde
cantora Andreia Dias lança segundo disco solo, mais denso, roqueiro e ‘sujo’.
Compositora compulsiva, a cantora paulistana Andreia Dias, 37 anos, lançou seu CD Vol. 1 no final de 2007, com material suficiente na gaveta para abastecer os outros álbuns que fariam parte de sua trilogia. Estreou com um trabalho vigoroso, em letra e melodia, flertando com coisas do cotidiano e do coração: o amor que a libertou, o homem que não a compreende ou aquele que ela manda passear, cansada de ouvir suas lamúrias. Foi o passaporte para entrar no rol de uma nova - e boa - safra de jovens compositoras.
Na segunda parte de sua saga, o novo Vol. 2, Andreia retoma as relações humanas em canções como Noites, Nós Dois e Mulher. Mas com uma sonoridade mais apurada. Fruto da sintonia dos músicos de sua banda, que a acompanham há dois anos, acredita ela. “O som está mais denso, sujo, rock. Ricardo Prado (um dos produtores do novo CD) trouxe bastante elementos eletrônicos”.
Na realidade, é um disco em que o rock converge com outras de suas influências musicais. Afinal, Andreia não é mulher de um estilo só. Um bom indício disso é o fato de ela emprestar a voz para diferentes bandas, como DonaZica, Banda Glória e Astronautas do Amor (esta especializada em repertório brega). “Quando perguntam qual é o meu estilo, digo que faço música contemporânea”, define. “Além de falar sobre loucuras de amor e temas do cotidiano, este trabalho tem um lado existencialista. Se fosse um LP, o lado A seria de amor e o B, existencial”.
A ótima e cadenciada Pomba Gira, misto de samba e carimbó, marca a passagem imaginária desse lado A para o B. “Triste chegar em casa e você não estar/Mais triste esperar, esperar, esperar e esperar/Tristeza saber como você vai chegar/Chapada, xarope, fogosa, bêbada”, canta, bem-humorado, o convidado especial Zeca Baleiro, que, nesta faixa, divide os vocais com Andreia. “Quando fiz Pomba Gira, percebi que era mais uma música para mulher cantar. Queria que fosse um homem. Daí, convidei o Zeca. Gosto muito da voz dele”, declara.
Em Astro Rei, ela faz um rock à la Mutantes e se dá ao luxo de contar com a participação especial do músico Arrigo Barnabé nos gritos de louvor. O contato com Arrigo começou com outro projeto. Andreia quis se aventurar num novo campo da música para ela e compôs dez faixas para a trilha sonora de uma opereta. Pediu para o músico fazer os arranjos e Arrigo topou de bom grado. A ideia inicial é lançar um DVD e depois ver para onde esta história vai seguir. “Sou fã do álbum Clara Crocodilo, do Arrigo. Eu tinha de gravar uns gritos de louvor na faixa e, de cara, o nome dele me veio à cabeça”.
Vol.2 traz de volta, ainda, a parceria de Andreia e Iara Rennó, pessoa importante em sua carreira. Elas assinam juntas Cadência. “Tínhamos feito essa música para a banda DonaZica, mas não é conhecida”, afirma Andreia, a respeito da única canção do disco feita em dupla. “Eu não sou de muitas parcerias. Mas quero abrir mais meu leque”, diz.
Lançamento
Scubidu Records
Preço: R$ 20
terça-feira, 1 de junho de 2010
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