sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Estadão - Show do Metronomy
O Metronomy começou em 1999 com Joseph Mount (à esq. na foto) sozinho em seu quarto, na pequena cidade de Totnes, no interior da Inglaterra. Mas ficou conhecido mesmo como um trio, com Mount, Oscar Cash e Gabriel Stebbing tocando em laptops as músicas do disco ‘Nights Out’, de 2008. Agora, epois da saída de Stebbing, a banda é um quarteto: Mount e Cash se juntaram ao baixista Gbenga Adelekan e à baterista Anna Prior para uma formação mais tradicional, com instrumento. A banda inglesa vem ao Brasil, pela segunda vez, para mostrar o novo disco, ‘The English Riviera’, mais melódico e orgânico que os trabalhos anteriores. E dessa vez o show é numa casa fechada (o Beco 203) – ou seja, sem a chuva de 2009. O Divirta-se falou com Mount por telefone, leia abaixo a entrevista.
Em 2009 vocês tocaram aqui em um festival à céu aberto para milhares de pessoas (Planeta Terra), e agora vão tocar em um clube fechado, para algumas centenas. Você tem alguma preferência? É muito diferente tocar em um festival e fazer o seu próprio show. Estamos muito animados para ver como vai ser.
O álbum ‘English Riviera’ é menos dançante que os trabalhos seus trabalhos anteriores… Isso depende! [risos]
Sim. Não definitivamente não-dançante, só um pouco menos. E há menos elementos eletrônicos também. Algum motivo para essa mudança para um som mais orgânico? Ainda há sons de baterias eletrônicas e sintetizadores, mas a ideia era fazer um disco que não dependesse tanto de sequenciadores. E fazer uma coisa diferente. Gosto da ideia de supreender as pessoas, é legal mudar. Nosso próximo álbum pode ser diferente também.
No computador as opções para fazer música são praticamente ilimitadas. Como foi compor para quatro instrumentos específicos (baixo, guitarra, teclado e bateria)? Ainda componho as músicas do mesmo jeito que fazia antes. Mas essa limitação em saber como quer gravar, e que vai ser tocado ao vivo, talvez ajude a concentrar nas partes mais importantes da canção.
E como foi trabalhar em um estúdio pela primeira vez? Maravilhoso. Eu só fazia música no computador e, desde que comecei, ficava guardando ideias, e imaginando o que faria quando finalmente chegasse em um estúdio. Foi muito divertido. É um lugar feito especificamente para fazer e gravar música.
Desde que vocês começaram a se apresentar como uma banda completa, você sentiu diferença nos shows? Sim! Anna (Prior) e Gbenga (Adelekan) já sabiam como isso era, mas para mim e Oscar (Cash) é novidade. Eu não penso muito em como era antes, mas se você se lembra, era muito controlado, e agora é mais livre.
É menos restrito ao computador. Exatamente.
‘The English Riviera’ é um pouco sobre o lugar que você cresceu. Por que essa influência temática? Eu me mudei quando eu tinha 18 anos e passei a viver em cidades grandes. Onde eu cresci é o campo. É muito quieto e pacífico. Mas depois de viver em cidades por tanto tempo, se você volta para o campo começa a sentir falta daquilo. A ideia de sair com os amigos no meio do nada, sem barulho. Fico me lembrando como era.
Que tipo de música você ouvia quando era novo? Ah, todos os tipos. Depende. Que idade?
Quando você era adolescente, e quando se mudou para Londres. Quando eu era adolescente ouvia muito hip hop, A Tribe Called Quest, De La Soul, e depois comecei a escutar coisas como DJ Shadow e entrar em uma onda de dance music mais ofensiva, alta… É complicado [risos]. Eu virei meio que um nerd, um nerd de música.
E enquanto fazia o disco novo? Para este álbum ouvi bastante Fleetwood Mac e Stevie Wonder. Neil Young. Bem clássico. Esse tipo de música foi a minha inspiração.
Quando ‘Nights Out’ foi lançado o Metronomy estava inseridos dentro da cena new rave. Agora, você vê uma ligação entre a banda e alguma cena musical? Acho que essa é uma das razões pela qual este álbum está sendo tão bem aceito: é porque não estamos sendo ligados a nenhuma outra banda. É muito bom saber que toda vez que somos mencionados não estamos sendo mencionados junto com outra banda. Isso tem nos ajudando. No começo, se alguém não gostasse de Klaxons ou algo assim nunca nos ouviria porque achava que tudo não passava de lixo. É legal saber que estamos por conta própria.
ONDE: BECO 203. R. Augusta, 609, Consolação, 3237- 3068. QUANDO: 4ª (31), 22h. QUANTO: R$ 110 (esgotado).
Tags: beco 203, eletrônico, Metronomy
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