segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Folha - "Nas Rodas do Choro" mostra a vivacidade e o frescor do gênero
FABRICIO VIEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
O choro não seria o que é sem as informais rodas, responsáveis pela permanência do gênero e o surgimento de novos protagonistas.
Partindo dessa premissa, o documentário "Nas Rodas do Choro" visita a cena carioca para mostrar que o gênero que consagrou Pixinguinha se mantém vivo e fresco.
É com os músicos sentados em círculo, em bares, praças ou mesmo no quintal, que o choro acontece. Sem procurar ser didática, a diretora Milena Sá visita algumas dessas "rodas de choro" para desvendar um pouco o gênero.
O filme se constrói por meio de depoimentos e trechos de apresentações, praticamente sem recorrer a material de arquivo. O passado, que traz certo ar nostálgico, é resgatado por histórias contadas pelos entrevistados.
Dentre os veteranos, estão lá Carlinhos Leite e César Faria, que foram integrantes do lendário "Época de Ouro", conjunto criado por Jacob do Bandolim (1918-1969) na década de 1960.
Nomes como Joel Nascimento, Déo Rian, Bozó 7 Cordas e Odette Ernest Dias também marcam presença.
"Não tem outro jeito de aprender choro, é tocando. É transmitido dessa maneira, é informal mesmo, nas rodas de choro, foi assim que a gente aprendeu. Não tem muito que teorizar, é sentar e tocar com os garotos", resume a cavaquinista Luciana Rabello.
Uma das rodas sagradas da década de 1970, que acontecia no bar Sovaco de Cobra, é rememorada por Luciana. Foi lá que ela e o irmão Raphael Rabello (1962-1995) descobriram essa música.
Defendendo que o choro é uma expressão artística coletiva, informal e livre, o filme ilumina, de forma leve e envolvente, essa tão espontânea sonoridade brasileira.
NAS RODAS DO CHORO
PRODUÇÃO Brasil, 2010
DIREÇÃO Milena Sá
QUANTO R$ 44,90
CLASSIFICAÇÃO livre
AVALIAÇÃO bom
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