Jornal da Tarde
O pianista e compositor Johnny Alf é uma espécie de elo perdido da música brasileira. Em suas composições - e no seu jeito de tocar piano - se encontram o samba, a bossa nova, o jazz e até a música pop. Mas, tímido, Alf, não soube (ou não quis) surfar na onda de sua importância. Hoje, aos 80 anos, luta contra o câncer em um hospital em Santo André, na Grande São Paulo. Sem muito dinheiro, mas com uma coleção de bons e talentosos amigos.
São esses amigos e admiradores que, com uma constância admirável, prestam homenagens a Alf. É o caso do músico Filó Machado, da cantora Cibele Codonho e da pesquisadora musical Cláudia Mogadouro. O trio traz para São Paulo o espetáculo Genialf (apelido que Tom Jobim deu a Johnny Alf), marcado para hoje, amanhã e domingo, na Caixa Cultural, sempre às 19h.
“Falou-se muito de Alf durante as comemorações dos 50 anos da bossa nova, mas Alf é muito mais que isso. Ele já reunia os elementos da bossa nova antes mesmo do movimento existir”, fala Cláudia. “O show tem a intenção de apresentar essa figura ímpar da música brasileira”, completa.
Filó Machado sabe que, assim como tantos outros, Alf não tem o devido reconhecimento do grande público. “Isso já me chateou mais. Agora, acho que isso tornou-se algo normal, natural. Sempre foi assim. Eu aceitei isso, Alf também. Não adianta ficar reclamando. Ainda bem que existe internet. Quem quiser saber mais de Alf, por exemplo, pode encontrar muitas coisas na rede”, diz Filó.
A cantora Cibele diz que o repertório do show será abrangente. Clássicos como Eu e a Brisa, Ilusão à Toa e Rapaz de Bem não vão faltar. “Mas não vai ficar só nisso. Vamos apresentar músicas pouco conhecidas, como algumas que existem em um disco chamado Desbunde Total, com canções modernas.”
DIVIRTA-SE
Genialf.
Com Filó Machado e Cibele Codonho. Caixa Cultural São Paulo:
Praça da Sé, 111. 3321-4400. Hoje, amanhã e domingo, às 19h.
Grátis. Livre
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
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