Em livro lançado na Inglaterra, o fotógrafo britânico Kevin Cummins celebra Manchester e retrata o lado pop da cidade
Eva Joory, ESPECIAL PARA O ESTADO
Com uma explosiva cena musical, Manchester sempre disputou, lado a lado com Londres, o título de cidade mais efervescente do Reino Unido. Mas enquanto Londres vivia da fama do Swinging London, Manchester era melancólica. Coube ao fotógrafo britânico Kevin Cummins desfazer essa impressão. Ele acaba de lançar Manchester, Looking For The Light, Through The Pouring Rain (Manchester, olhando para a luz através da chuva torrencial, Faber and Faber, 400 págs.). O livro celebra a energia e desvenda a história da cidade dando-lhe o seu devido crédito: o de meca do pop.
De cidade triste, Sadcheter, ao templo da rave music e das drogas, Madchester, (os nomes são trocadilhos com as palavras tristeza e loucura), Manchester, no Reino Unido, movimenta a cena rock inglesa há muitos anos. Conhecida como o coração da Inglaterra, pelos seus atributos de cidade industrial, Manchester revelou bandas importantes como Joy Division e New Order, Happy Mondays, Stones Roses, Smiths e Oasis. Foi também o berço do movimento punk, com o histórico show dos Sex Pistols, em junho de 1976.
Mas a cidade ficou famosa mesmo no fim dos anos 80 por abrigar um dos mais importantes clubes do planeta, o Haçienda. Seus proprietários eram ninguém menos do que os integrantes do New Order e o dono da cultuada gravadora Factory Records, Tony Wilson.
Manchester... retrata uma cidade pulsante e com muitas histórias para contar. O livro traz mais de 30 anos de registros de Cummins, textos e entrevistas de gente de peso como os jornalistas Paul Morley e Stuart Maconie, seus colaboradores.
Cummins, de 56 anos, faz parte até hoje do quadro de profissionais do semanário New Musical Express, ou NME, criado nos anos 50. Seu livro reúne algumas imagens até hoje memoráveis e frases de escritores famosos sobre ela, como Mark Twain e Anthony Burgess. Tony Wilson, amigo de Cummins, deveria escrever o posfácio. Mas o empresário ficou doente e só conseguiu enviar um bilhete para Cummins, publicado no final do livro: "Kevin querido. Desculpe não ter te mandado o texto. Tive de voltar ao hospital. Mas está tudo na minha cabeça. Escreverei assim que sair daqui." O texto nunca chegou: Wilson morreu três dias depois.
Cummins fez sua primeira foto em 1973, aos 19 anos. O show era de David Bowie. "Foi apenas o registro de um fã", escreve no livro. Mas ele não parou mais.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
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