quarta-feira, 24 de março de 2010

JT - Gênio da guitarra quer ‘hipnotizar’

Jornal da Tarde

Depois de dez anos sem compor, Lanny Gordin lança novo álbum em show no Studio SP.
Sem compor nada novo há dez anos, o guitarrista Lanny Gordin lança hoje, às 23h, no Studio SP, na Rua Augusta, o álbum Auto-Hipnose, com a banda Kaoll. Considerado por muitos um gênio da guitarra, Gordin despontou no final da década de 60 ao ser apresentado por Tony Osanah, crooner dos Beat Boys, a Gilberto Gil. À época, o compositor baiano estava começando o movimento Tropicália, do qual Gordin acabou participando ativamente. “A primeira vez que vi o Gil, ele estava usando uma bata indiana e um cabelo black power. Fizemos uma jam-session de uns 15 minutos e então ele me chamou para participar (da Tropicália)”, diz Lanny.
Nascido Alexander Gordin, em 1951, em Xangai, na China, o guitarrista é filho de pai russo e mãe polonesa. Não chegou a viver na China, mudando-se para Israel, onde morou até os 6 anos, quando veio definitivamente para o Brasil. “Morei no Rio de Janeiro e depois nos mudamos para São Paulo”, diz o guitarrista.
Na capital paulista, seu pai fundou a casa noturna Stardust, que abriu espaço para apresentações dos jovens Hermeto Pascoal, Heraldo do Monte e boa parte da turma da Jovem Guarda, como Wanderléa e Erasmo Carlos. Foi lá que Lanny se apresentou profissionalmente pela primeira vez. Alguns anos mais tarde, ele foi diagnosticado com esquizofrenia - até hoje, toma remédios para controlar a doença. Para tratá-la, o músico ficou internado por duas vezes, nas décadas de 80 e 90. Em 1995, finalmente teve alta e lançou alguns álbuns solo.
O disco que Lanny lança hoje, no entanto, começou a surgir meio que sem querer, em 2003, depois que o guitarrista teve como aluno o músico Bruno Moscatiello, de 27 anos. Moscatiello já tinha montado uma banda e lançado o disco Kaoll04, em 2001. “Conheci Lanny após ver um anúncio na revista Guitar Player dizendo que ele dava aulas”, diz o ex-aluno. “Queria me aperfeiçoar com ele, já que sempre fui um grande admirador do trabalho do Lanny”, declara.
Na estrada com a banda Kaoll, Moscatiello convidou Lanny para acompanhá-lo nos shows. “Era uma honra tê-lo na banda, e ele foi, sempre querendo participar das novas apresentações. Acabamos compondo muitas coisas juntos”, completa Moscatiello. Com essas composições, eles perceberam que tinham material suficiente para um novo disco e fizeram o Auto-Hipnose. Além das músicas novas, o álbum traz duas composições antigas de Lanny Gordin: Groselha (O Sapato) e Música Kármica, de Lanny com o amigo Michel Leme.
O nome do CD faz referência à sonoridade da banda, um rock progressivo-psicodélico, com influências do jazz e de bandas setentistas, como Pink Floyd e Led Zeppelin. “O objetivo é fazer o público entrar em transe, se auto-hipnotizar. Nesse estado de espírito, ele fica calmo e entra no som”, explica Lanny.

Jovem de novo

O instrumentista 58 anos, a mesma idade que o pai de Moscatiello, o que faz com que o público frequentemente pergunte se eles são pai e filho. “Quando toco com eles, me inspiro, me sinto jovem também. Quando toco sozinho, eu sou mais calmo. Com eles, sinto uma alegria contagiante. É um troca de experiências”, diz Lanny. “Esses garotos me incentivaram a voltar a compor.”
A banda é composta por oito integrantes: duas guitarras (Lanny e Moscatiello), Dokter Leo (bateria), Carlos Fharia (contra-baixo), Tiago Mineiro (teclado), Yuri Garfunkel (flauta transversal), Miguel Durante (gaita) e Janja Gomes (percussão).

DIVIRTA-SE
Lanny Gordin.
Hoje, às 23h.
Studio SP:
Rua Augusta, 591, centro.
3129-7040
Entrada: R$20. 18 anos.
450 pessoas. www.studiosp.orgS

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