Jornal da Tarde
Depois de dez anos sem compor, Lanny Gordin lança novo álbum em show no Studio SP.
Sem compor nada novo há dez anos, o guitarrista Lanny Gordin lança hoje, às 23h, no Studio SP, na Rua Augusta, o álbum Auto-Hipnose, com a banda Kaoll. Considerado por muitos um gênio da guitarra, Gordin despontou no final da década de 60 ao ser apresentado por Tony Osanah, crooner dos Beat Boys, a Gilberto Gil. À época, o compositor baiano estava começando o movimento Tropicália, do qual Gordin acabou participando ativamente. “A primeira vez que vi o Gil, ele estava usando uma bata indiana e um cabelo black power. Fizemos uma jam-session de uns 15 minutos e então ele me chamou para participar (da Tropicália)”, diz Lanny.
Nascido Alexander Gordin, em 1951, em Xangai, na China, o guitarrista é filho de pai russo e mãe polonesa. Não chegou a viver na China, mudando-se para Israel, onde morou até os 6 anos, quando veio definitivamente para o Brasil. “Morei no Rio de Janeiro e depois nos mudamos para São Paulo”, diz o guitarrista.
Na capital paulista, seu pai fundou a casa noturna Stardust, que abriu espaço para apresentações dos jovens Hermeto Pascoal, Heraldo do Monte e boa parte da turma da Jovem Guarda, como Wanderléa e Erasmo Carlos. Foi lá que Lanny se apresentou profissionalmente pela primeira vez. Alguns anos mais tarde, ele foi diagnosticado com esquizofrenia - até hoje, toma remédios para controlar a doença. Para tratá-la, o músico ficou internado por duas vezes, nas décadas de 80 e 90. Em 1995, finalmente teve alta e lançou alguns álbuns solo.
O disco que Lanny lança hoje, no entanto, começou a surgir meio que sem querer, em 2003, depois que o guitarrista teve como aluno o músico Bruno Moscatiello, de 27 anos. Moscatiello já tinha montado uma banda e lançado o disco Kaoll04, em 2001. “Conheci Lanny após ver um anúncio na revista Guitar Player dizendo que ele dava aulas”, diz o ex-aluno. “Queria me aperfeiçoar com ele, já que sempre fui um grande admirador do trabalho do Lanny”, declara.
Na estrada com a banda Kaoll, Moscatiello convidou Lanny para acompanhá-lo nos shows. “Era uma honra tê-lo na banda, e ele foi, sempre querendo participar das novas apresentações. Acabamos compondo muitas coisas juntos”, completa Moscatiello. Com essas composições, eles perceberam que tinham material suficiente para um novo disco e fizeram o Auto-Hipnose. Além das músicas novas, o álbum traz duas composições antigas de Lanny Gordin: Groselha (O Sapato) e Música Kármica, de Lanny com o amigo Michel Leme.
O nome do CD faz referência à sonoridade da banda, um rock progressivo-psicodélico, com influências do jazz e de bandas setentistas, como Pink Floyd e Led Zeppelin. “O objetivo é fazer o público entrar em transe, se auto-hipnotizar. Nesse estado de espírito, ele fica calmo e entra no som”, explica Lanny.
Jovem de novo
O instrumentista 58 anos, a mesma idade que o pai de Moscatiello, o que faz com que o público frequentemente pergunte se eles são pai e filho. “Quando toco com eles, me inspiro, me sinto jovem também. Quando toco sozinho, eu sou mais calmo. Com eles, sinto uma alegria contagiante. É um troca de experiências”, diz Lanny. “Esses garotos me incentivaram a voltar a compor.”
A banda é composta por oito integrantes: duas guitarras (Lanny e Moscatiello), Dokter Leo (bateria), Carlos Fharia (contra-baixo), Tiago Mineiro (teclado), Yuri Garfunkel (flauta transversal), Miguel Durante (gaita) e Janja Gomes (percussão).
DIVIRTA-SE
Lanny Gordin.
Hoje, às 23h.
Studio SP:
Rua Augusta, 591, centro.
3129-7040
Entrada: R$20. 18 anos.
450 pessoas. www.studiosp.orgS
quarta-feira, 24 de março de 2010
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