Jornal da Tarde
Para celebrar os 50 anos do cantor, EMI lança disco com duetos. Mas nem todos aconteceram
Se estivesse vivo, Renato Russo teria completado 50 anos no último sábado. Para comemorar a data, o pesquisador Marcelo Fróes lança, pela EMI, um álbum com 15 duetos feitos com o cantor.
Desses encontros, no entanto, sete não aconteceram de verdade. São canções em que os convidados incluíram suas vozes em cima de uma gravação original de Renato. O disco, que chega às lojas amanhã, faz parte das inúmeras homenagens póstumas que o cantor tem recebido por seu aniversário. Nada mais comum, portanto, do que um lançamento como esse, que teve a aprovação de todos os familiares, desde a irmã de Renato, Carmen Manfredini, até seu filho, Giuliano.
Dos duetos, um dos melhores do álbum é a canção Like a Lover, que abre o disco. Foi feita em parceria com Fernanda Takai, que canta sobre uma gravação inédita de Russo. Gravada para o álbum Equilíbrio Distante, de 1995, a música não chegou a ser concluída e Fernanda fez os vocais que faltavam. O dueto não ocorreu de fato, mas poderia ter acontecido. Tanto é que o encarte traz uma foto do cantor usando uma camisa do Pato Fu, banda de Fernanda Takai.
Os outros duetos que não aconteceram de verdade são: Vento no Litoral, com Cássia Eller; Catedral, com Zélia Duncan; Change Partners, com Caetano Veloso; Strani Amori, com Laura Pausini; La Solitudine, com Leila Pinheiro; Come Fa Un’onda (Como Uma Onda), com Célia Porto. No caso de Cássia Eller, as duas vozes foram unidas anos depois da morte de ambos.
Para os fãs de Renato e do Legião Urbana, o álbum é uma joia rara e também um exercício futurístico de como seria a carreira do cantor se ele ainda estivesse vivo.
O resultado final agrada e o acabamento é bem feito, exceto por duas canções, Summertime, com Cida Moreira, e Nada Por Mim, com Herbert Vianna, gravadas ao vivo e em condições ruins.
Não dá para dizer que esse disco seja um insulto ao legado de Renato Russo, já que a escolha das pessoas que participam dos duetos foi criteriosa, e inclui grandes nomes da música, como Laura Pausini, Dorival Caymmi e Erasmo Carlos.
O tributo, no entanto, sai com um jeitão de ser mais um trabalho caça-níquel, lançado apenas para se aproveitar da efeméride e vender mais discos.
A própria Fernanda Takai, no disco Televisão de Cachorro (1998), do Pato Fu, ironiza trabalhos como esses, ao cantar os versos da canção A Necrofilia da Arte: “Se o Lennon morreu, eu amo ele / Se o Marley se foi, eu me flagelo / Elvis não morreu, mas não vivo sem ele / Kurt Cobain se foi, e eu o venero”.
OS DUETOS
‘Like a Lover’, com Fernanda Takai
‘Celeste’, com Marisa Monte
‘Vento no Litoral’, com
Cássia Eller
‘Mais uma Vez’, com 14 Bis
‘Strani Amori’, com Laura
Pausini
‘A Cruz e a Espada’, com
Paulo Ricardo
‘Cathedral Song/Catedral’,
com Zélia Duncan
‘Change Partners’, com
Caetano Veloso
‘A Carta’, com Erasmo Carlos
‘La Solitudine’, com Leila
Pinheiro
‘Come Fa Um'Onda (Como Uma Onda)’, com Célia Porto
‘Só Louco’, com Dorival
Caymmi
‘Esquadros’, com Adriana
Calcanhoto
‘Nada por Mim’, com Herbert Vianna
‘Summertime’, com Cida Moreira
LANÇAMENTO
‘Renato Russo Duetos’
Disco com 15 duetos feitos
com o cantor Renato Russo.
EMI
Preço: R$ 29,90
quarta-feira, 31 de março de 2010
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