quinta-feira, 18 de março de 2010

JT - Só faltava tocar um instrumento

Jornal da Tarde

Thiago Pethit desistiu de ser ator para lançar seu primeiro e elogiado álbum, ‘Berlim, Texas’
Aos 9 anos, o virginiano Thiago Pethit tomou uma decisão: seria ator. Determinado, começou a fazer aulas de interpretação e se profissionalizou. A mudança nos planos do paulistano começou em 2007, já aos 25 anos, quando foi convidado para dirigir um show que o músico Dudu Tsuda fazia ao lado da cantora Tiê. O contato com a música mexeu tanto com Pethit que ele fez as malas e foi para Buenos Aires, na Argentina, estudar canto e composição. Depois de um EP, o músico lança agora o álbum Berlim, Texas.
Pethit conta que os primeiros acordes saíram graças ao incentivo de Tiê. “Ela começou a me empurrar para cantar e tocar, dizia que eu tinha um boa voz”, lembra. A empolgação da amiga (leia entrevista com Tiê ao lado) criou uma ‘pulga atrás da orelha’ do ator, que procurou um conservatório de tango. “Sempre gostei de do ritmo, foi uma maneira de transitar do teatro para a música, afinal o tango é muito dramático.”
Sem tocar praticamente nada, as primeiras letras nasceram em forma de poesia. As melodias, por sua vez, ganharam forma com uma combinação de lá-lá-lás. De volta a São Paulo, foi durante a gravação do EP Em Outro Lugar (2008) que o aprendiz começou a descobrir o violão. “Eu passava a tarde na casa da Tiê aprendendo violão e um pouco de piano. Não sou um instrumentista, toco para compor. Só consigo tocar o que é meu”, diz.
Vindo de uma família envolvida com arte, Pethit levou para sua música os sons da MPB que ouvia em casa. “Meu pai foi locutor de rádio, tínhamos uma superdiscoteca em casa. Ouvíamos Rita Lee, Mutantes, Caetano Veloso.” Ao gosto de criança, somaram-se os trabalhos dos americanos Tom Waits e Lou Reed e do australiano Nick Cave. Mas as referências não param por aí. “Sinto influência de tudo. Hoje temos muita informação. Você entra no YouTube puxa uma canção do Chico Buarque, que te leva para um clipe do Little Joy. É um caldeirão.”
Dos tempos de ator, leva o apreço pelo trabalho do dramaturgo alemão Bertold Brecht. “Brecht tratava de política em peças didáticas, o que trago é um derivação dessa linguagem, uma ambientação teatral”, explica.
Na ‘Berlim, Texas’ de Pethit os assuntos são mais íntimos, com letras confessionais que são quase um diário. “Sempre sinto que falei de mais, mas fazer música é quase um exorcismo. Quando se diz para o outro, aquilo não é mais só seu”, explica o compositor, que escreve em português, inglês, espanhol e francês. “A música já chega com um idioma.”
Parte de uma geração pós-folk, que inclui artistas jovens como Juliana R, Lulina e a própria Tiê, Pethit classifica seu som como pop. “A música pop é o grande gênero da contemporaneidade. É um ritmo que incorporou folk, samba e outros estilos. Afinal, nenhum de nós é caubói ou hippie.”


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