quinta-feira, 11 de março de 2010

JT - Um musical livre de preconceitos

Jornal da Tarde

Estreia em São Paulo o premiado O Despertar da Primavera, que trata de suicídio, homossexualismo e incesto, sem clichês.
Depressão, morte, incesto, suicídio e homossexualismo. No teatro, Nelson Rodrigues já abordou com maestria estes temas. Para o público brasileiro, portanto, um musical que reúna tudo isso em uma só história não causaria qualquer espanto, certo? “Mais ou menos”, diz o diretor Charles Möeller, que junto com seu sócio, Claudio Botelho, adaptou para o Brasil o musical O Despertar da Primavera, sucesso de público na Broadway, nos Estados Unidos, que estreia amanhã, às 21h, no Teatro Sergio Cardoso, na Bela Vista.
Escrita em 1891pelo dramaturgo alemão Frank Wedeking, a peça causou furor na Alemanha e por anos foi proibida de ser encenada. Cem anos depois, os diretores americanos Duncan Sheik e Steven Star a transformaram em musical, com uma trilha mais voltada para o rock. Nos Estados Unidos, a peça alcançou sucesso imediato e ganhou oito prêmios Tony, o Oscar dos musicais. A montagem brasileira também não ficou a trás e recebeu cinco indicações ao Prêmio Shell.
“Conseguimos autorização para fazer uma peça non-replica, ou seja, diferente da montagem americana”, diz Möeller em entrevista ao JT, nos bastidores do teatro, durante o ensaio técnico feito na terça-feira. Temas que eram apenas sugeridos na montagem americana como o incesto, ficaram mais evidentes na montagem brasileira, além de os personagens homossexuais ganharem espaço. “Nelson Rodrigues levou nosso teatro muito longe nesses temas”, explica o diretor.
O musical conta a história de um grupo de estudantes na conservadora Alemanha pré-Primeira Guerra. Por conta da rígida educação em casa e na escola, eles acreditam que qualquer sentimento, seja de amor, tesão ou depressão, é pecado. Até que um deles, apaixonado por uma das alunas, decide contestar todos esses dogmas e escrever uma espécie de manifesto.
Enquanto isso, um de seus colegas flerta com o suicídio após ser reprovado, outros dois são homossexuais (com beijo gay, inclusive) e uma menina é prostituta.
Para este musical, Möeller e Botelho escolheram jovens e desconhecidos atores com idade entre 16 e 25 anos. “Foram mais de três mil inscritos. Ou você sabe cantar, dançar e atuar ao mesmo tempo, ou não entra. Por isso, em musicais não existem atores apadrinhados, só os talentosos ficam.”
Os destaques da produção são os atores Malu Rodrigues (que interpreta Wendla), Pierre Baitelli (Melchior), Rodrigo Pandolfo (Moritz) e Letícia Colin (Ilse). Os quatro, além de ótimos cantores, se impõem em cena dando o tom exato para os personagens.
Baitelli, que faz um dos personagens principais, atuou na minisséries Capitu, da Globo, e no musical está a cara Robert Pattinson, que faz o vampiro Edward, em Crepúsculo. Já Letícia Colin costuma atuar em novelas da Record.
Com atores jovens abordando temas adolescentes, o público do espetáculo mudou. “Musical geralmente é frequentado por gente mais velha, mas nesse vieram muitos jovens (na temporada no Rio de Janeiro). Eles assistem mais de três vezes à peça, ficam amigos dos atores e fãs da trilha sonora.” A trilha, aliás, está disponível para a venda em CD e grátis para download no site: www.despertarprimavera.com.br/musicas.ASP.


DIVIRTA-SE

O Despertar da Primavera. Estreia amanhã, às 21h30.
Qui. e sáb., às 21h; 6ª, às 21h30.
Até 2/5. Teatro Sérgio Cardoso:
Rua Rui Barbosa, 153. 3288-0136.
R$ 50 (qui.) e R$ 60. 14 anos. 856 lugares. 120 minutos (com intervalo).

Nenhum comentário:

Postar um comentário