quarta-feira, 17 de março de 2010

JT - Música para ver

Jornal da Tarde

Festival In-Edit leva mais de 70 documentários musicais a sete espaços de SP, a partir de amanhã. Confira nossas apostas.
A segunda edição do In-Edit Festival Internacional de Documentário Musical, que começa amanhã e vai até o dia 28 deste mês, em São Paulo, prova que a música no cinema pode ir além das trilhas sonoras. Os filmes que estarão em exibição nas salas do Museu da Imagem e do Som (MIS), Cine Olido, Cinesesc, HSBC Belas Artes, Matilha Cultural, Auditório Ibirapuera e Instituto Cervantes tratarão apenas de um tema: a música.
Há documentários que falam sobre um estilo específico, como o rock, e outros que focam em bandas, como Mamonas Assassinas, Paralamas do Sucesso, White Stripes e Led Zeppelin. No entanto, o curador Marcelo Aliche teve o cuidado de variar os estilos. “Os documentários ganharam muito espaço recentemente. E, dentro dessa modalidade, estão os filmes sobre música”, diz o curador.
A mostra é uma extensão do festival, que ocorre há oito anos em Barcelona. Os vencedores brasileiros da mostra competitiva também terão seus filmes exibidos na Espanha e em outros países em que o In-Edit acontece, como Chile e México.
Por aqui, serão mais de 70 títulos nacionais e internacionais, entre os quais 60 inéditos no circuito comercial. Entre os artistas com filmes na mostra estão Seu Jorge, Naná Vasconcelos, Bezerra da Silva, Tom Zé, Lenine e Johnny Cash. “Atualmente, é mais comum ver documentários em cartaz no circuito comercial. E, como todo mundo gosta de música, acaba transformando o cinema em palco de shows”, explica Aliche.

A seguir, confira os títulos nacionais que estarão em cartaz e que o JT considera imperdíveis.

O berço tecnobrega do Calypso
BREGA S/A DIR.: GUSTAVO
GODINHO E VLADIMIR CUNHA
De onde vem a banda Calypso tem muito mais. É isso que mostra Brega S/A, documentário de Gustavo Godinho que investiga as origens do tecnobrega, ritmo originário do brega típico de Belém do Pará, que ganhou influência da música eletrônica. Com a facilidade de misturar elementos eletrônicos ao ritmo, bandas estouraram com letras “arretadas” e danças contagiantes.
O diretor, que desde 2006 acompanhou bailes na periferia, conta como o ritmo conquistou o País: “Esses caras fazem música na cara e coragem, sem incentivo do governo, em estúdios precários e depois ganham dinheiro vendendo CDs gravados em casa”.
Exibições: Sexta-feira (19),
às 16h30, no MIS. Sábado (20),
às 17h, na Galeria Olido.

Muito à frente da Parada Gay
DZI CROQUETTES DIR.: TATIANA ISSA E RAPHAEL ALVAREZ
Com depoimentos de Liza Minnelli, Ron Lewis, Gilberto Gil, Nelson Motta, Ney Matogrosso, Betty Faria, Miéle, Jorge Fernando, Cláudia Raia, Pedro Cardoso e Norma Bengell, este documentário conta a história do grupo de dança carioca DZI Croquettes.
Em defesa dos homossexuais, o grupo, surgido na década de 70, contestava a Ditadura Militar com deboche e ironia. Além disso, pregava a queda de certos tabus sociais e sexuais.
O filme resgata a história do DZI, que fez muito barulho há 40 anos e hoje é pouco conhecido das novas gerações. Há ainda uma parte sentimental na história, já que o pai da diretora Tatiana Issa foi cenógrafo do grupo.
Exibições: Sábado (20), às 19h20, no Auditório Ibirapuera. Segunda (22), às 21h, no Cine Sesc. Quinta (25), às 19h, na Galeria Olido.

Os gringos também nos ouvem
BEYOND IPANEMA
DIREÇÃO: GUTO BARRA
Como a música brasileira atual é vista e escutada no exterior? = O jornalista Guto Barra, de 39 anos, que há 13 mora em Nova York, conta neste documentário, por meio de entrevistas com David Byrne, Devendra Banhart, M.I.A., Os Mutantes, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Seu Jorge, e Bebel Gilberto, como o Brasil ocupa hoje uma posição única na cultura global. “Falamos da música de bandas como Cansei de Ser Sexy e do Funk Carioca; da Tropicália e da volta dos Mutantes, que teve muito impacto no exterior”, explica o diretor.
Exibições: Sábado (dia 20), às 17h30, Auditório Ibirapuera. Terça (23),
às 18h, no MIS. Quarta (24), às 15h,
na Galeria Olido.

Fenômeno nacional
MAMONAS PARA SEMPRE
DIREÇÃO: CLAUDIO KAHNS
Em menos de um ano, o grupo Mamonas Assassinas conquistou o Brasil. A morte prematura dos integrantes, num trágico acidente de avião, em 1996, interrompeu a carreira deles, que só tiveram tempo de lançar um álbum. O diretor Claudio Kahns, que na época nem gostava tanto assim da banda, resolveu contar essa história. “O documentário surgiu após gravarmos entrevistas com os parentes dos integrantes. A ideia era fazer um filme de ficção, mas as entrevistas ficaram tão boas que acabamos decidindo pelo documentário”, explica Kahns. O filme só estreia em circuito comercial no dia 3 de junho.
Exibições: Domingo (dia 21), às 17h30, no Auditório Ibirapuera. Terça, (23), às 17h, na Galeria Olido. Sexta (26), às 18h, no MIS.

Como nasceu o rock brasileiro
ROCK BRASILEIRO
DIREÇÃO: BERNARDO PALMEIRO
Quem realmente fez rock no Brasil? Quais foram os grupos que criaram coragem para desafiar a rigidez das cabeças pensantes da década de 50 e afirmar que o ritmo considerado “maldito” merecia ser tocado no País?
São essas questões que o documentário dirigido por Bernardo Palmeiro responde. Contando a história do ritmo desde a década de 50, até os dias atuais, o filme conta com depoimentos de Roberto Carlos, Ronnie Cord e Tony Campello, e de grupos como Secos & Molhados, Mutantes, Blitz!, Paralamas do Sucesso e Titãs.
Exibições: Sexta (dia 19), às 15h, na
Galeria Olido. Domingo (21), às 17h,
na Galeria Olido. Sexta (26), às 16h30, no MIS.

Um travesti em plena ditadura
MEU AMIGO CLAUDIA
DIREÇÃO: DÁCIO PINHEIRO
O travesti Claudia Wonder conseguiu, em plena Ditadura Militar, fazer shows e frequentar as páginas culturais de jornais e revistas. Ao participar de três bandas de punk (Novas Flores do Mal, Jardim das Delícias e Truque Sujo), ele também influenciou toda uma geração. O diretor Dácio Pinheiro, de 34 anos, conta como o travesti conseguiu sobreviver à ditadura e à paranoia da aids: “Cláudia fez um show em que entrava numa banheira de groselha e jogava o líquido na plateia, que achava que era sangue, isso quando todos tinham medo da aids”.
Exibições: Sábado (dia 20), às 21h30, no Auditório Ibirapuera. Segunda (22), às 19h, no Cine Sesc. Terça (23), às 19h, na Galeria Olido.

DIVIRTA-SE
2º In-Edit Brasil. Festival do Documentário Musical.
De amanhã ao dia 28. R$ 1 a R$ 12; algumas grátis. 3064-9011. MIS: Av. Europa, 158. Cine Olido: Av. São João, 473. Cinesesc: Rua Augusta, 2.075. HSBC Belas Artes: Rua da Consolação, 2.423. Matilha Cultural: Rua Rego Freitas 542. República. Auditório Ibirapuera: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº. Instituto Cervantes: Av. Paulista, 2.439. www.in-edit-brasil.com/2010

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