da sucursal do Rio
Mariana Baltar ficou conhecida no Rio por cantar, durante cinco anos, toda noite de sábado no Centro Cultural Carioca, uma das sedes da nova geração do samba da cidade. E ainda obteve um quinhão de atenção ao estrear em CD, em 2006, numa produção independente.
Mas o segundo disco é um passo além: revela o amadurecimento da intérprete e lhe dá fôlego para ganhar luz própria na coletividade da Lapa e da Praça Tiradentes cariocas.
"É a minha carteira de identidade", afirma Baltar, 36.
O aspecto que mais sobressai nessa identidade é o repertório. A cantora abre e fecha o CD com criações importantes de Nei Lopes --"Tia Eulália na Xiba" (com Cláudio Jorge) e "Jongo do Irmão Café" (com Wilson Moreira)--, mas se sente segura para, em vez de apenas reproduzir músicas já gravadas, lançar inéditas ou pouco conhecidas de compositores mais novos.
Thiago Amud, Edu Kneip, Pedro Moraes, Mauro Aguiar e Julião Pinheiro --numa parceria com o pai, Paulo César Pinheiro-- aparecem na lista de autores com peças de qualidade, permitindo à intérprete configurar uma marca própria.
"Para o primeiro disco eu quase não recebi músicas. Estava antenada, mas não enturmada, pois vivia mais perto dos instrumentistas. Nos últimos dois anos chegou muita coisa, do Brasil todo. Percebi como tem gente boa compondo canções. Pude ter a ousadia de dizer: 'Vamos para frente'", conta Baltar.
Ela caminha para firmar um estilo que não se resume ao samba, estendendo-se para a tradição da música brasileira em geral. "Maldita Cancela" (Delcio Carvalho/Osório Peixoto), por exemplo, é uma toada, e "Sertão do Vale" (Zé Paulo Becker/Mauro Aguiar), um baião.
Para dar unidade ao repertório, formações instrumentais à moda do chamado regional: violão, cavaquinho, bandolim, um sopro, uma percussão... Os arranjos são de integrantes do conjunto Água de Moringa: Josimar Carneiro, que é marido de Baltar, Jayme Vignoli, Marcílio Lopes e Luiz Flavio Alcofra.
"Acho possível fazer coisas novas sem usar a eletrônica", atesta.
Seu lado "brejeira" --adjetivo que sempre a acompanha-- está nas ligeiras "Uva de Caminhão" e "Teco Teco", mas chega às raias da caricatura.
"Muita gente diz que eu me saio melhor nessa praia, mas tenho gostado de cantar coisas mais dolentes. Essa delicadeza faz parte da minha personalidade", diz ela, bailarina e atriz que deseja agora se dedicar apenas aos shows, como o feito na semana passada no Sesc Pompeia.
MARIANA BALTAR
Gravadora: Biscoito Fino
Quanto: R$ 35, em média
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário