sexta-feira, 23 de abril de 2010

JT - 100 anos do mestre Adoniran

Jornal da Tarde

Evento do próximo domingo celebra o centenário do cantor e compositor paulista
Pegue o trem das onze, prepare ‘as brachola’ e torça por um dia de sol. Neste domingo (25), a partir das 11h, o Parque do Ibirapuera será o palco de uma homenagem aos 100 anos do mais paulistano dos sambistas: Adoniran Barbosa (1910-1982). Sob a regência do maestro Amilson Godoy, artistas como Jair Rodrigues, Demônios da Garoa, o grupo Língua de Trapo, Eduardo Gudin, Arnaldo Antunes, Roger (Ultraje a Rigor), Vânia Bastos e Patty Ascher irão interpretar clássicos do compositor.
No evento, cada interprete irá cantar duas músicas de Adoniran. Os Demônios, por exemplo, irão defender dois clássicos absolutos do cancioneiro do artista: Trem das Onze e Saudosa Maloca. “Esse é o ano do Adoniran e dos Demônios. Todas as homenagens são poucas para esse ícone da música. Gente de todas as idades e gostos musicais admira o trabalho dele”, diz Serginho Rosa, integrante dos Demônios da Garoa.
O músico Eduardo Gudin, que, além de parceiro, foi produtor de Adoniran, vai interpretar aquela que foi a última canção composta pelo rei do Bixiga: Armistício. “Ter uma parceria com o Adoniran é algo que me enche de orgulho. Mais do que isso, ter convivido com ele. Adoniran era uma pessoa muito atenciosa, preocupado com os outros”, fala. “A morte dele deixou uma lacuna. Adoniran é inimitável. Ninguém nunca conseguiu se aproximar do seu estilo de cantar e compor.”
O sambista Jair Rodrigues vai interpretar uma das canções mais tocantes (e pouco comuns) do repertório do Adoniran, Bom Dia, Tristeza, feita numa inusitada e brilhante parceria entre ele e Vinícius de Moraes. “Fico muito feliz em cantar essa música. Um dia, Adoniran me disse que gostaria de me ouvir gravar algumas canções com meu jeito romântico. Saudosa Maloca, que é bastante triste, era uma delas. Mas Bom Dia, Tristeza é linda. Ainda quero gravar muita coisa deste incrível compositor”, declara Jair.
Laerte Sarrumor, do Língua de Trapo, diz que seu grupo vem de uma linhagem inspirada na obra de Adoniran. “Esse sotaque paulista, esse jeito de cantar as coisas da cidade, tem tudo a ver com o nosso trabalho. Uma pena que quando o Língua começou, o Adoniran estava partindo”, conta. O Língua de Trapo vai cantar As Mariposa e Um Samba do Bixiga. “Nós também temos músicas que falam em bracholas”, ele diz.
O coordenador de difusão e produção cultural da Secretaria do Estado, André Sturm, está animado com a possibilidade de utilização do Parque do Ibirapuera como local do show - que vai acontecer na plateia externa (voltada para o parque) do Auditório do Ibirapuera. “Não é possível prever quantas pessoas estarão presentes. Existem muitas variáveis, como o tempo, por exemplo. Mas acho que o parque vai estar bonito e cheio de gente querendo ouvir Adoniran. Tem tudo para ser um evento marcante” destaca Sturm. Adoniran Barbosa era o nome artístico de João Rubinato, nascido em Valinhos, no dia 6 de agosto de 1910. Poeta, boêmio e a cara de São Paulo, ele morreu em 23 de novembro de 1982, de parada cardíaca.

DIVIRTA-SE
Homenagem a Adoniran Barbosa.
Domingo, a partir das 11h.
Auditório do Ibirapuera
(palco externo).
Parque do Ibirapuera, portão 2 (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº). Grátis.

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