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DA REDAÇÃO - Um dos instrumentos mais fascinantes de todos os tempos, o piano é a estrela dessa nova série que vai ocupar parte das terças musicais do CCBB, ao longo de seis meses. O público vai ter oportunidade de descobrir mais sobre o instrumento que revolucionou a música erudita no século XVIII e projetou alguns dos nomes mais populares do gênero, entre compositores e intérpretes, tais como Beethoven, Chopin, Liszt e Debussy. O repertório promete obras que o público já conhece e ama, como sonatas de Mozart e Beethoven, mas também traz surpresas, tais como a raramente tocada Sonata para piano e violoncelo de Debussy e a primeira audição mundial do Estudo Op.2 de Chopin, transcrito para terças e sextas pelo compositor Carl Tausig (1841-1871).
A cada uma das apresentações, no palco do Teatro II do CCBB, a série vai mostrar – sempre em dois horários, 12h30 e 19h - as obras desses gênios já mencionados, além de composições de Haydn, Shcubert, Schumann, Philip Glass e outros. Entre os intérpretes convidados estão o duo pianístico mais celebrado no Brasil, Celina Szrvinsk e Miguel Rosselini, o premiadíssimo Eduardo Monteiro, que se une ao também excepcional violoncelista Hugo Pilger, e Thomas Mastroianni, presidente da American Liszt Society.
O FORTEPIANO
A série faz sua estreia no dia 13 de julho trazendo um programa muito especial e raramente executado. O cravista Edmundo Hora, um dos maiores especialistas em Música Antiga do Brasil, vai mostrar ao público a sonoridade do fortepiano.
Inventado em 1702 pelo italiano Bartolomeo Cristofori di Francesco, fabricante de cravos, o fortepiano tinha suas cordas percutidas por um pequeno martelo, ao invés de apenas beliscadas por uma palheta construída com uma pena de corvo, como no caso do cravo. Isso permitiu que os intérpretes pudessem tocar forte e piano, o que não era possível com o cravo, e abriu novos horizontes para músicos e compositores. Logo o fortepiano conquistou um repertório composto especialmente para ele. Serão apresentadas no CCBB sonatas de Lodovico Giustini, primeiras composições reconhecidamente escritas para o instrumento. Na sequência, a oportunidade de apreciar o trabalho do maior nome da música brasileira do período colonial, José Mauricio Nunes Garcia, responsável pela primeira obra composta para fortepiano no Brasil, o Método para Pianoforte, de 1821.
Assim vai ter início uma prazerosa jornada pelos 300 anos de história do piano, paixão absoluta no Brasil e no mundo, sempre incluído nos programas das maiores e melhores orquestras. Essa é uma oportunidade para degustar o piano e somente ele. Como disse Liszt numa das primeiras vezes em que se apresentou como solista, sem nenhuma outra voz, humana ou de outro instrumento, para acompanhá-lo: “Le concert ce moi!”
Para tornar tudo ainda mais interessante e esclarecedor, cada concerto contará com uma introdução sobre programa e intérpretes feita por Ruth Staerke, musicista, soprano e atriz. Suas intervenções, assim como os textos escritos especialmente para cada apresentação, vão situar e ilustrar o público, de maneira a tornar ainda mais plena a experiência. O pianista Giulio Draghi é o responsável pela pesquisa e direção musical da série, além de se apresentar como intérprete. A direção artística e os roteiros são assinados pela compositora Cirlei de Hollanda.
OS CONCERTOS E SEUS INTÉRPRETES
13 de julho – O novo instrumento que tocava piano e forte
Edmundo Hora – Especialista em Música Barroca e instrumentos de teclado do século XVIII, Hora é Doutor em cravo pela Unicamp e possui em seu acervo cravos, clavicórdio e fortepianos – duas réplicas de 1796 e um original do séc. XIX. É Professor de Cravo e Música Barroca no Departamento de Música do Instituto de Artes da Unicamp.
LODOVICO GIUSTINI (1685 – 1743) -Suonata IV em mi menor e Suonata I em sol menor
ANÔNIMO (séc. XVIII-Sabará MG) – Sonata 2ª. em mib maior
WOLFGANG AMADEUS MOZART (1756-1791) – Fantasia em dó menor KV 396
Pde JOSÉ MAURÍCIO NUNES GARCIA (1767-1830) – 3 Lições do 'Compêndio de Música e Método de Pianoforte'
ANTONIO VIEIRA SANTOS (1787-1853) - Lundum da Bahia em ré maior
ANÔNIMO da Bahia (Séc. XVIII e Séc. XIX) - Lundum em lá menor, 'Com naturalidade de conversa' , e Lundum em lá maior
10 de agosto – Viena, a eterna
Celina Szrvinsk e Miguel Rosselini - O duo pianístico é um dos mais destacados do país. No exterior, já se apresentaram na Europa, Canadá, Rússia e Japão. O segundo álbum da dupla foi citado pela revista Diapason entre as melhores gravações brasileiras de 2005. Ambos ensinam piano na UFMG.
JOSEPH HAYDN (1732 – 1809) - Divertimento em fá maior, de 'Il maestro e lo scolar'
WOLFGANG AMADEUS MOZART (1756-1791) - Sonata em dó maior KV 521
FRANZ SCHUBERT (1797-1828) - Sonata em dó maior, Opus 140 'Gran Duo'
31 de agosto – Allegro Apassionato
Thomas Mastroianni - Mestre pela Juilliard School de Nova Iorque, atua como concertista e professor em quatro continentes. É Presidente da American Liszt Society e cofundador do Festival de Música de Amalfi (Itália). Em 1992 foi agraciado com a Medalha da Hungarian Liszt Society. Atualmente dirige o Festival de Piano de Amalfi.
LUDWIG VAN BEETHOVEN (1770-1827) - Sonata No.1 em fá menor, Opus 2 / Sonata em dó maior, Opus 53 'Waldstein' / Sonata em dó menor, Opus 13 'Pathétique' / Sonata em fá menor, Opus 57 'Appassionata'
14 de setembro – Allegro Fantastico
Fernando Corvisier - Deve sua formação a mestres como Homero de Magalhães, Linda Bustani e Antônio Guedes Barbosa. Em Paris, estudou com o pianista Edson Elias na Ecole Normale de Musique Alfred Cortot. Recebeu o título de Doctor of Musical Arts, pela Universidade de Houston. Atualmente é professor de piano da USP.
CARL CZERNY (1791-1857) - Variações sobre um tema de Rode 'La Ricordanza', Opus 33
ROBERT SCHUMANN (1810-1856) - Fantasia em dó maior, Opus 17
FRANZ SCHUBERT (1797-1828) - Sonata em si bemol maior, Opus póstumo D.960
9 de novembro – Rapsódia Húngara
William Wellborn – Norte-americano, é Presidente fundador da seção São Francisco da American Liszt Society. Já se apresentou em inúmeros festivais, entre eles o Festival de Piano Chopin chez George Sand, em La Châtre. No próximo ano, vai liderar um Tour de Liszt para celebrar os 200 anos de aniversário do compositor.
FRANZ LISZT (1811- 1886) - Concerto Paráfrase do 'Rigoletto' / Sposalizio /Sonetto 104 del Petrarca / Rapsódia Húngara No.15, 'Rákóczy March' / Sonata em si menor
23 de novembro – Noturno
Giulio Draghi com a participação especial de Flávio Augusto - Flávio Augusto já recebeu 28 primeiros prêmios em Concursos Nacionais e Internacionais de Piano. Foi o primeiro brasileiro a conquistar o 1º lugar do Concurso Internacional de Piano “Villa-Lobos” (88). Já se apresentou nos EUA, Europa e Oceania. Lançou 10 CDs (de piano solo e música de câmara). (veja no final a biografia de Giulio Draghi, diretor artístico do projeto)
CARL TAUSIG (1841-1871) – Improviso, Opus 1, e Noturno, Opus 3
FRÉDÉRIC CHOPIN (1810-1849) / CARL TAUSIG – Estudo, Opus 2, transcrito para terças e sextas*
CARL TAUSIG - Reminiscências da ópera ' Halka de Moniusko'
FRÉDÉRIC CHOPIN (1810-1849) / CARL TAUSIG - Concerto No.1 em mi menor, Opus 11
- Transcrição para dois pianos por Sérgio de Sabbatto e Giulio Draghi.
*Estreia Mundial
7 de dezembro – Piano sem martelos
Eduardo Monteiro e Hugo Pilger - Considerado um expoente do piano no Brasil, Eduardo aperfeiçoou-se na Europa e EUA. Conquistou o 1º lugar no III Concurso Internacional de Colônia (89). Foi solista das Filarmônicas de São Petersburgo, Moscou, Munique e Orquestra de Câmara de Viena, entre outras. Desde 2002, é professor de piano da ECA-USP. Hugo Pilger já foi solista das principais orquestras brasileiras e se apresentou em diversos países da América do Sul e Europa. É 1º violoncelo da Orquestra Petrobras Sinfônica e professor de violoncelo da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO).
CLAUDE DEBUSSY (1862 - 1918) - Nove Prelúdios, volume 1 / Images, volume 1 / Sonata para violoncelo e piano
21 de dezembro – Novos caminhos
Daniel Glover – Norte-americano, com Mestrado na Juilliard School de Nova Iorque, Glover se apresenta na Europa, Ásia e principais salas de concerto dos EUA. Foi professor na Universidade de Nova Iorque e Universidade de São Francisco. Atualmente ensina na Notre Dame de Namur, em Belmont (CA). Seu extenso repertório inclui 60 concertos. Já gravou oito CDs.
GYÖRGY LIGETI (1923 - 2006) - Musica Ricercata
PHILIP GLASS (1937) - Três peças do filme As Horas
SAMUEL BARBER (1910 – 1981) - Sonata
Giulio Draghi e Cirlei de Hollanda
Giulio Draghi recebeu seu título de Doctor in Musical Arts da Universidade de Miami, em 2007. Estudou no Brasil com Lia Gualda de Sá, Glória Maria da Fonseca Costa, Myriam Dauelsberg e, nos EUA, com Ivan Davis e Frank Cooper. Obteve diversos primeiros lugares em concursos nacionais, destacando-se o Concurso Nacional Centenário Essenfelder. Apresenta-se regularmente como recitalista nos EUA e Canadá e, recentemente, lançou um CD com obras de J. M. Nunes Garcia, Tausig e Mussorgsky (selo UFRJ). Em 2011, Giulio fará a estreia mundial da Sinfonia Fausto, na versão de piano solo feita por Carl Tausig, a convite do Festival 200 anos da American Liszt Society, nos EUA.
Cirlei de Hollanda é compositora, pianista e Mestra em Música pela UFRJ. Recebeu o 1º Prêmio na categoria 'Música Sinfônica', na II Bienal de Música Brasileira Contemporânea (1977), com a obra Isso é Aquilo / Palavra. Em 1990, estreou no CCBB-RJ o espetáculo DRUMMOND, CANTO E CENA, em ciclo dedicado ao escritor, com peças suas e de Guerra-Peixe, para o qual assinou roteiro e direção musical. Em 2009, sua obra AS SEM-RAZÕES DO AMOR, também inspirado em texto de Carlos Drummond de Andrade, foi apresentada no Festival Internacional de Inverno de Campos de Jordão, em versão para voz e violoncelo, escrita especialmente para a ocasião, tendo como solistas Rosana Lamosa (soprano) e Antonio Meneses (violoncelo).
segunda-feira, 12 de julho de 2010
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