sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Folha - Black Eyed Peas se despede do Brasil em ritmo de samba, funk e baião

DE SÃO PAULO


O grupo Black Eyed Peas fez o seu último de uma série de shows no Brasil nesta quinta-feira, no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Durante pouco mais de 2h, Will.i.am, Fergie e sua turma colocaram o público para dançar e não pararam nenhum minuto. O show começou pontualmente às 22h, após uma apresentação animada do DJ e produtor David Guetta, que surgiu no palco com Fergie na música "Gettin' Over You" e se despediu trazendo o cantor Akon como convidado especial na música "Sexy Bitch".
Sob poucas luzes no palco, os integrantes surgem um a um por meio de elevadores no chão. Mas a comoção maior é mesmo quando surge Fergie. E que decepção quando a musa vocalista do Black Eyed Peas começa a entoar as primeiras notas de "Let's Get It Started", "Rock That Body" e "Meet Me Halfway", encarregadas de abrir a apresentação. Mesmo com o volume do seu microfone mais baixo que o dos colegas, a voz de Fergie fica estridente em algumas músicas.
Apesar de ser a estrela da banda, Fergie some perto do carismático Will.i.am, a cabeça do quarteto. Taboo e Apl. de Ap completam a cena. Fergie só consegue chamar atenção quando apela para a sensualidade. Sua presença de palco só ganha evidência quando a cantora surge em vestidos curto e provocantes. Um ventilador para deixar seu cabelo esvoaçante se encarrega de completar o visual sexy.
Não que com Will.i.am seja diferente, mas sua voz carregada de autotune e uma boa presença de palco dão conta do recado. A parafernália tecnológica, desde o telão e efeitos visuais até os figurinos, ajudam também a manter o público entretido.
Após tocarem "Don't Phunk With My Heart", Will.i.am tomou o microfone e começou uma série de elogios ao Brasil, dizendo que queria morar no país e falando algumas palavras em português, entre elas, "que linda" e "gostosa", além de cantarolar um trecho de "Chove Chuva", de Jorge Ben Jor. Após uma irritante apresentação sua de versos em forma de rap, o cantor anunciou: "Essa música é dedicada a todas as mulheres bonitas" e emendou "My Humps" --"bunda", Will.I.Am tratou de explicar. Em seguida de "Hey Mama" veio um esperado e conhecido momento do show, quando a banda toca "Mas Que Nada", também de Jorge Ben. Desta vez, acompanhada de passistas de escola de samba.
Como que para tentar amenizar sua homenagem estereotipada do país --com mulatas, bundas e Carnaval-- Will.i.am tratou também de ser político. "Estive no Brasil pela primeira vez em 2005, e o país está muito mais forte hoje. Espero que vocês cresçam ainda mais com o novo Presidente". Era hora de um descanso visual.
A chegada de uma nave espacial no telão convocou a parte do show em que cada um se apresenta solo. Primeiro vieram as apagadas apresentações de Apl. de Ap e Taboo. Depois, foi a vez de Fergie mostrar três músicas de seu álbum solo ("The Dutchess"): "Fergalicious", "Glamourous" e "Big Girls Don't Cry". A última foi a única música do show que mostrou sua potência vocal.
Quando chegou a vez de Will.i.am, o músico enfileirou, em formato de DJ set, "Magalenha", do brasileiro Sergio Mendes, "I'm In Miami Bitch", da banda LMFAO, "Thriller", de Michael Jackson, "Song 2", do Blur, "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana, "Otherside", do Red Hot Chilli Peppers, "Sweet Child O' Mine", do Guns n' Roses, "Sweet Dreams", do Eurythmics, e até mesmo o tema do filme "Dirty Dancing", "Time Of My Life".
Sem muitas outras surpresas, a banda continuou o show com hits como "Shut Up" e "Where's the Love" e fechou, como é de costume, com "Boom Boom Pow" e "I Gotta Feeling".

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