terça-feira, 23 de novembro de 2010

JB - Na despedida de McCartney, Scissor Sisters faz noite colorida em SP

do Terra

SÃO PAULO - Embora tenha um público bastante específico, a banda novaiorquina Scissor Sisters teve a difícil missão de atrair os fãs, em plena segunda-feira, para o Via Funchal, em São Paulo. A data, definitivamente, não era a mais adequada para a estreia dos músicos no país. E fatores para transformar a vinda da banda num dos maiores fiascos do ano não faltaram: Planeta Terra Festival, que trouxe o cantor Mika, queridinho do público gay, e atraiu mais de 20 mil pessoas para as dependências do Playcenter no sábado (20); e a última apresentação de Paul McCartney na cidade, que aconteceu no estádio do Morumbi, e contou com mais de 120 mil fãs nos dias 20 e 21.
Mesmo com dois grandes motivos, a banda não foi desamparada e os fãs compareceram à casa de espetáculos para prestigiar a primeira apresentação dos músicos no Brasil, que também serviu como encerramento da turnê pela América Latina. O local não atingiu sua lotação máxima, para alívio de quem esteve por lá, pois permitiu maior mobilidade e espaço para dançar e pular com as músicas da banda, que fez uma performance apoteótica, porém com algumas ressalvas.
O show, previsto para começar às 22h, iniciou com 43 minutos de atraso, mas os fãs simplesmete ignoraram o fato assim que viram Jake Shears, com um macacão colado ao corpo, e Ana Matronic, com vestidinho preto, subirem ao palco. Instaurou-se a gritaria no local e a banda se mostrou enérgica logo de cara, estimulando ainda mais os gritos e pulos da plateia.
Scissor Sisters abriu a noite com o hit Night Work, que também dá título ao disco mais recente, lançado neste ano, e à turnê que trouxeram ao Brasil. Laura e Any Which Way mantiveram a alta vibração e sintonia entre os músicos e os fãs, que não deixaram os ídolos desamparados e entoaram o coro junto aos agudos dos vocalistas.
Jake Shears, ícone do público gay por sua irreverência, se mostrou bastante provocativo e aos poucos foi se despindo no palco, deixando o peitoral definido à mostra, para o delírio dos rapazes que estavam na área do gargarejo.
Ana Matronic fez questão de mostrar o quão surpresa estava com o carinho dos brasileiros e prometeu, ainda no início do show, que voltará ao solo tupiniquim. "Este é o terceiro país que visitamos na América Latina (a banda esteve no dia 17 em Santiago, Chile, e no dia 19 em Buenos Aires, Argentina), mas deixamos o melhor para o final", disse a cantora, que recebeu uma chuva de aplausos e assobios.
Durante a mescla de sucessos dos três álbuns lançados desde o nascimento da banda, em 2001, pode-se perceber que faltava algo no Jake que estava no palco. Mesmo bastante empolgado e sem desafinar, o cantor não conseguia alcançar as notas altas que o tornaram muldialmente conhecido, tanto que fez questão de justificar ao público. "É a primeira vez na minha carreira como cantor que eu perco a minha voz. Me desculpem", disse o vocalista, que logo foi ovacionado ao cantar Mary.
"Eu preciso dizer que este show está muito bom para nós. É um dos melhores países que já visitamos", gritou Ana no microfone, levando os fãs ao delírio.
As batidas eletrônicas, mescladas com o rock glam característico da banda, fizeram o Via Funchal se transformar numa grande balada GLS, com direito a alguns - raros - fãs, como André Gottardo, analista de comunicação, que assistiu ao show ao lado de sua namorada, Helena Sobral. "Eles fazem um som sensacional e eu curto ouvir sempre que estou feliz, porque as músicas são empolgantes e um pouco sexuais também (risos). Mas ser fã de Scissor Sisters não significa ser gay, prova disso sou eu, que estou aqui com minha namorada", comentou o rapaz.
A banda manteve forte a agitação na casa de espetáculos e se despediu do público após Invisible Light, a 16ª música da noite. Sob gritos, aplausos e pedidos de retorno, eles voltaram ao paldo três minutos depois, trazendo a clássica I Don't Feel Like Dancing como abertura do bis da noite. Neste momento, novamente Jake mudou seu tom, pois percebeu que não atingiria as notas mais altas e evitou os agudos, dando uma certa descaracterizada naquela que é considerada o grande hino do grupo.
Antes de se despedir com Filthy/Gorgeous, Ana resolveu agradecer novamente ao carinho recebido por parte dos fãs. "Senhoras e senhores, esta noite tem sido muito divertida para nós. Obrigado! E nós vamos voltar para o Brasil", prometeu.

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