Jornal da Tarde
Com instrumentos inusitados e alguns macetes, os duos fazem um som de encher a caixa.
Luisão Pereira e Fernanda Monteiro são casados há seis anos e formaram há dois uma dupla nada convencional. Ele é guitarrista e de 1996 a 2004 tocou junto com a banda Penélope. Ela é violoncelista da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba). Juntos, eles misturaram clássico e rock na banda Dois em Um, cujo primeiro disco foi lançado no início de 2009.
O desafio do casal, assim como o da maior parte dos duetos, é ‘preencher’ as músicas, de maneira a soar como uma banda completa, de quatro ou cinco integrantes. Isso tudo somente a quatro mãos. A solução encontrada, muitas vezes, é contentar os gostos musicais com a mistura de instrumentos inusitados - e, de preferência, tocar mais de um deles. Por isso, músicos de dueto não raro são multi-instrumentistas capazes de extrair canções ricas de xilofone, bateria e até viola.
No caso do Dois em Um, a harmonia resulta no que eles chamam de som “minimalista e contemporâneo”. Ou seja, da combinação do violoncelo e da voz de Fernanda com a guitarra de Luisão. Casamento necessário, segundo o músico.“Minha voz é horrível”, confessa.
A união de apenas dois instrumentos, bateria e guitarra, também deu conta do rock do duo Comma, que lançou o primeiro disco, Monkey, no ano passado. Desde 2006 juntas, a artista plástica paulistana Didi, 36 anos, e a estudante de gastronomia Mini, 21, viram no duo uma forma de, digamos, economizar em integrantes. “O formato foi o jeito que encontramos para viabilizar esse projeto”, resume Didi.
Cada um usa um ‘truque’ para a falta de mais gente não ficar evidente. Quando não se apresenta acompanhado de uma banda, a dobradinha entre a paulistana General Sih e o capixaba Leonardo Ramos, batizado de 2ois, aposta em pedaleiras com bases pré-gravadas. Com essa ajudinha, eles se garantem com o violão de um e a guitarra da outra. Quando uma banda de apoio os acompanha, Leonardo se lança na bateria.
Claro que a amizade entre Leonardo e Sih ajuda a dupla a se afinar. Os dois se conheceram pela internet e foram tocar no programa Astros, do SBT. Resultado: venceram o programa, ganharam um carro e no primeiro semestre deste ano lançarão o primeiro disco. “Somos parecidos em muitas coisas, musicalmente falando. O meu som se encaixou perfeitamente com o dela”, diz Leo.
A afinidade também ajuda Ricardo Bologna, 39 anos, e Eduardo Leandro, 38, a manter o fôlego da banda que criaram em 1989. Apesar de morarem longe hoje - Bologna toca percussão na Orquestra Sinfônica de São Paulo (Osesp) e Leandro é professor nos EUA -, o duo Contexto ainda se encontra para shows. E aposta na variedade de instrumentos como chamariz. No palco, os amigos misturam xilofone, vibrafone, pratos, marimbas, tambores e “tudo que puder ser batucado”. Já chegaram a colocar mais de 50 instrumentos diferentes.
Outra estratégia tem a dupla Ricardo Vignini e Zé Helder, que consegue despertar o interesse. Munidos apenas de duas violas, eles adaptam clássicos do metal, de bandas como Led Zeppelin, Pink Floyd e Iron Maiden, para a viola caipira. O primeiro disco da dupla deverá ser lançado em breve com o título de Moda de Rock, Viola Extrema. “A molecada do metal descobre que o som não é só guitarra e o pessoal da viola também descobre que é possível tocar metal”, diz Vignini.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
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