quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

JT - Festival de rock dos novos tempos

Jornal da Tarde

Macaco Bong, Hurtmold Cidadão Instigado e Móveis se apresentam no Auditório do Ibirapuera.
Quatro das bandas mais representativas do rock brasileiro da primeira década deste século estarão reunidas no Festival Alto Verão, que começa na sexta-feira no Auditório Ibirapuera. Duas instrumentais (a cuiabana Macaco Bong e a paulistana Hurtmold) e duas com vocais (Cidadão Instigado, de Fortaleza, e Móveis Coloniais de Acaju) dão um bom panorama da produção atual, em que a experimentação dialoga com a atitude pop. São todos considerados expoentes da “cena independente”. Na verdade, não há outra, é só nela que está o que interessa no rock brasileiro atual.
O Macaco Bong se apresenta sexta e sábado, às 21h, o Hurtmold, no domingo, às 19h, enquanto Móveis faz shows nos dias 22 e 23, às 21h, e o Cidadão Instigado, no dia 24, às 19h.
O idealizador do festival é Pena Schmidt, atual superintendente do Auditório, que tem larga experiência na produção de discos de música brasileira, incluindo bandas de peso como Titãs, Camisa de Vênus e Ira!. Para ele, a década de 1980 é “muito naïve para esses dez que estão chegando”. “Hoje são jovens mais complexos, o instrumental que eles estão tocando hoje não tem comparação com o que se fazia.”
Sobre essas bandas escolhidas para “mostrar que existe uma cena nova”, Schmidt diz que gosta muito da musicalidade delas, cada um seguindo um caminho próprio, “com muita personalidade de estilo”. Do Cidadão, Schmidt destaca o fato de ser uma banda que pode ir de um lado para outro com a maior elegância, “um rock energético que chega a ser cerebral”. “Catatau é um arranjador nato. Em tudo que ele põe a mão, põe ordem.” O Macaco Bong é uma nota atrás da outra, sem nexo nem espaço para respirar. “Não estão fazendo melodia mais. E é música com M maiúsculo. Com todo respeito, o Sepultura fica uma bandinha melódica perto deles.” Os Móveis aprenderam a “abrir os espaços individuais, que é a melhor escola de produção possível, conseguir orquestrar para que todo mundo toque e não se perca ninguém”.
Com cinco anos de existência e apenas um EP e um álbum lançados, o Macaco Bong é a mais incensada expressão de uma tendência crescente de boas bandas: a do rock instrumental. Sem deixar brecha para respirar, o power trio de Cuiabá faz apresentações demolidoras, como a que conquistou até o público do Sepultura na Feira Música Brasil, em dezembro, no Recife. No mesmo evento, o Cidadão e os Móveis não deixaram por menos, dando o sangue em shows consagradores para grandes plateias.
“Aquele do Recife foi um dos três melhores shows da nossa carreira, não só pelo público, mas por estarmos numa feira representativa da música do Brasil, que tem repercussão internacional, e por termos tocado bem”, diz o baixista Ney Hugo. “Este do Ibirapuera, por antecipação, já é outro dos mais importantes.” É que dentro de sua parede sonora - sedimentada em heavy metal, mas aberta a diversas influências, como a música tradicional do Mato Grosso e improvisos jazzísticos - o Macaco vai agregar a rabeca de Siba, os metais dos Móveis, o piano de Vitor Araújo e a percussão de Jack, do Porcas Borboletas.
E não é por estar num ambiente menor e fechado que eles vão tocar com menos peso - com volume mais baixo, talvez, mas com a mesma intensidade. Além dos temas do álbum Artista Igual Pedreiro, há um novo, Um Sol Bem Quente, que em breve estará disponível para download, segundo Ney. Seus temas duram de 7 a 10 minutos, a música cresce e vira uma jam session, com a guitarrista substituindo a melodia da voz.

DIVIRTA-SE

Festival Alto Verão.
Auditório Ibirapuera (800 lug.). Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n.º, portão 3, Pq. do Ibirapuera,
3629-1075. Sex. e sáb., às 21 h; dom., às 19 h.
R$ 30/ R$ 80 (pacote)

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