terça-feira, 9 de março de 2010

JT - Axl Rose não está para brincadeira

Jornal da Tarde

Vocalista do Guns N’Roses apostou em pirotecnia e barulho na apresentação em Brasília
“Desculpe terminar tão tarde o show. Sei que as crianças têm de ir para a escola amanhã.” Sábias palavras, Axl. As crianças, pais, mães e adultos que juntos somaram mais de 13 mil testemunhas dentro do ginásio Nilson Nelson na noite de anteontem em Brasília mereceram o pedido de perdão. Às 2h25 da madrugada de segunda-feira, Axl Rose e seu reformado Guns N’Roses deixaram o palco após tocarem 20 músicas em duas horas e meia. Conhecido por atrasar seus espetáculos, Axl entrou aos 15 minutos da segundona após uma introdução com toques de suspense hitchcockiano.
Aos 48 anos, o inchado e monossilábico vocalista da ex-banda mais explosiva do rock dos anos 80 deu as caras ao som de Chinese Democracy, faixa-título do álbum lançado no ano passado. Todos queriam saber como o rechonchudo e cabeludo estava. De chapéu, casaco e óculos escuros, Axl se escondia. Dançava de maneira desarticulada e cantava modulando a voz de acordo com o alcance e volume que entendia ser exato para cada canção. Welcome To the Jungle, It’s So Easy e Mr. Brownstone - todas do clássico primeiro álbum, Appetite for Destruction (1987) - vieram em seguida para mostrar que, diferentemente de 2001, quando fechou uma das noites do Rock In Rio de maneira deprimente, desta vez Axl não veio para brincadeira.
Para disfarçar a falta de potência da voz e desenvoltura, optou por explosões, fogos, chuvas douradas e quatro painéis, além de três telões, para saciar o público. Um parque de diversões para todas as idades, sentidos e gostos. A massa sonora de uma banda formada por três guitarristas, dois tecladistas, um baixista e um baterista também servia para enfaixar as cicatrizes abertas pelo tempo no vocalista que voltava pela quarta vez ao Brasil.
Nas pouquíssimas vezes que se dirigiu ao público, Axl falou “Brasília” com a voz derretida. Brincando que introduziria uma música calminha, chamou a poderosa You Could Be Mine, uma das poucas canções retiradas de Use Your Illusion (1991). Nesta oportunidade, mostrou outro trunfo para o público. O baixista Tommy Stinson emulava Duff McKagan, tanto na postura como na maneira de fazer o backing vocal. Já o guitarrista DJ Ashba, com seu chapéu/cartola, cigarrinho no canto da boca e sua Gibson modelo Les Paul, era um Slash dos novos tempos. Em Sweet Child O’Mine era até possível comprar gato por lebre.
Entre as canções, para que Axl recuperasse o fôlego e a voz, os músicos mostravam solos, caras e caretas. As músicas do novo CD ganhavam em pirotecnia. Eram tantos efeitos na voz, nas guitarras e vindos dos teclados que a voz de Axl surgia como um fiapo. O vocalista soltava o gogó apenas em tons mais rasgados, quando se sentia confortável. Em Live and Let Die voltou com a faixinha vermelha característica na cabeça. Quando começou a dar seus rodopios, quase tomou um tombo. “Minhas calças estão caindo”, justificou-se repetidas vezes.
Em November Rain, tocou piano pela primeira vez na frente do palco. Uma chuva dourada ajudou a compor o cenário burlesco. O set foi finalizado com Nightrain, com uma sinfonia de guitarras ciceroneando o reizinho da noite. O bis veio com Madagascar e Paradise City. Papel picado, explosões, serpentinas e Axl joga o microfone para o público. Fim de papo.
Algumas horas antes, foi a vez do amigo de Axl, Sebastian Bach entreter o público. O ex-vocalista do Skid Row envelheceu bem. Tocou por uma hora um repertório baseado nos dois primeiros álbuns de sua ex-banda e fez o público vibrar com músicas como 18 and Life, I Remember You e Youth Gone Wild.
As duas bandas tocam amanhã em Belo Horizonte, sábado em São Paulo, domingo no Rio e na próxima terça-feira finalizam a turnê pelo País em Porto Alegre.

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