Jornal da Tarde
Banda punk fiel às origens da cena faz show amanhã na cidade. E há poucos ingressos
Depois de passarem por Porto Alegre, onde devem se apresentar hoje, os californianos do NOFX sobem amanhã, a partir das 21h30 (os portões abrem às 19h), ao palco do Santana Hall, na Zona Sul de São Paulo, para o segundo show da turnê pelo Brasil, que também passará por Fortaleza e Curitiba. Essa será a terceira vez que o grupo vem ao Brasil. A primeira foi em 1997 e a segunda, dez anos depois.
Formada em 1983, em Berkeley, na Califórnia, a banda é uma das últimas remanescentes e legítima representante do punk. O movimento, surgido na década de 70 com a americana Ramones e as inglesas Sex Pistols e The Clash, englobava toda uma forma de se vestir, atitudes, rebeldia contra o sistema e música.
Com o passar dos anos, o movimento foi se dissipando dando origens a outros ritmos. Apesar de ser considerado um representante do punk, o próprio NOFX não faz um som parecido com o de Ramones ou Sex Pistols. Sua sonoridade fica mais próxima do punk-rock e do hardcore melódico, que são justamente algumas das vertentes surgidas do punk.
No Brasil, grupos mais antigos, como Ratos de Porão e Inocentes, ambos ainda em atividade e formados na década de 80, representam o estilo. Mas há também bandas surgidas nos anos 90, como o Flicts, que fazem parte da nova geração e mantém o espírito punk acesso (leia mais abaixo).
O NOFX se mantém também coerente com o estilo do movimento - que prega a ideia do ‘faça você mesmo’. Eles evitam qualquer divulgação na imprensa, dão poucas entrevistas e até hoje gravam seus discos de uma forma que beira a independente. Ou seja, tudo que é comercial eles rejeitam. Prova disso é uma de suas músicas Please Play This Song on the Radio, de 1992, que ironiza canções comerciais feitas só para tocar em rádios, com fórmulas pré-prontas.
À imprensa paulista, os californianos mandaram avisar que não iriam dar nenhuma entrevista, a não ser que não tivessem vendido nenhum ingresso. Como o show está com lotação quase esgotada, mesmo com pouca divulgação, eles resolveram não falar. Ainda há ingressos para pista e mezanino. Quem levar um quilo de alimento pagará meia entrada.
Os shows no Brasil fazem parte da turnê internacional da banda para promover o álbum Coaster, lançado no ano passado. Eles também estão divulgando o novo DVD duplo NOFX Backstage Passport, com cenas inéditas do grupo em seus shows pelo mundo, inclusive pelo Brasil, Argentina, Peru, Chile, Japão, China e África do Sul. A turnê é também um esforço do grupo para levar o punk a grotões onde ele é pouco conhecido, como a própria China e a África.
A banda chega ao País com sua formação clássica: Fat Mike (baixo), Erick Melvin (guitarra), El Hefe (guitarra), sendo que os três também fazem os vocais, e Erik Sandin, na bateria.
Coaster, 11º álbum da banda, dá continuidade a um jeito de fazer música bem particular. Ele vem com batidas rápidas, letras satíricas com temática política, misturando a pegada punk, com rock e ska inglês.
A temática do novo trabalho, aliás, assim como a dos anteriores The War on Errorism (2003) e Wolves in Wolves’ Clothing (2006), critica fortemente o governo Bush, com suas guerras, política econômica e religiosa. Por extensão, as críticas também são direcionadas a Barack Obama.
DIVIRTA-SE
NOFX. Amanhã, às 21h30.
Santana Hall. (Av. Cruzeiro do Sul, 2.737. 2221-0855). De R$ 60 a
R$ 240. Quem levar 1 kg de alimento paga meia. Os portões abrem às 19h.
quarta-feira, 3 de março de 2010
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