sexta-feira, 9 de abril de 2010

JT - Descomplicando a ciência tropicalista de Tom Zé

Jornal da Tarde

Músico lança CD e DVD de retrospectiva de sua carreira durante três dias em São Paulo
O cantor e compositor Tom Zé quer descomplicar. Quer trazer a conversa para o palco e aporrinhar, no bom sentido, seus seguidores com estímulos de todos os lados. Por isso, nos três shows que apresenta no Sesc Pompeia a partir de hoje, a plateia será mais do que “apenas” a coadjuvante do lançamento do CD e DVD ao vivo, O Pirulito da Ciência - trabalho que compila sua trajetória, com canções que se popularizaram e também com aquelas que marcaram suas decisões de percurso durante seus 50 anos de carreira.
O público fará parte de um experimento que o baiano de 73 anos quer levar ao palco, sem saber muito bem como explicar: “Quero mostrar que toda ideia, por mais simples que seja, pode se transformar numa ótima realização. Basta você deixar ela quietinha por um tempo e trabalhar por um, dois anos, acreditar no potencial dela”, diz o cantor. “É assim que as minhas canções surgem, e foi assim que fui chamado de o ‘pai da invenção’ pela imprensa americana. Não sou gênio de nada. Sou um dos mais simplórios dos invencionistas. Só sei escolher as boas ideias e quero que meu público entenda que pode fazer isso também.”
Tom Zé destaca essa característica por contar com um público cada vez mais jovem. E ele não fala de gente de universidade, jovens adeptos à subversão do Tropicalismo por osmose. “Tem gente de ginásio, de colegial. É para essa gente que estou cantando.”
Entre marcos como Augusta, Angélica e Consolação; Nave Maria; Parque Indústria; São São Paulo; Classe Operária e Menina Jesus, ele promete uma novidade para despertar a classe estudantil. “Vou fazer um arranjo de baixo, bateria e guitarra, mas como se todos os instrumentos soassem acusticamente. Explicar assim é difícil, mas no palco, mostrando, fica fácil de entender.”
Para o músico, fácil de explicar é a importância da bossa nova. “O que aconteceu de importante no século 20 foi o minimalismo do Phillip Glass, a pianola do Carroll, a música microtonal do Giacinto Scelsi e a bossa nova. Nós tivemos um quarto do que mais inventivo foi feito de música no século passado”, afirma.
No show, Tom Zé se apresenta com a banda formada por Lauro Léllis (bateria); Cristina Carneiro (teclado/voz), Daniel Maia (guitarra/voz); Renato Léllis (baixo/voz); Jarbas Maria (percussão/cavaquinho/viola 12 cordas/voz) e Luanda (vocalista).

DIVIRTA-SE
Tom Zé.
Sesc Pompeia. Teatro (358 lugares). Rua Clélia, 93. 3871-7700.
Hoje e amanhã, às 21 h;
domingo, às 18 h.
Ingressos: de R$ 5 a R$ 20.
Classificação: 12 anos.

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