terça-feira, 24 de agosto de 2010

JT - Iron Maiden sem o gás (e os riffs) de antes

Jornal da Tarde

Quem já foi em algum show do Iron Maiden sabe que os momentos altos são quando todo o público acompanha, aos gritos, os solos de guitarra do trio Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers. Fear of The Dark ou The Number of The Beast são os preferidos. Mas quase todas as músicas da banda dos anos 80 até meados da década seguinte têm potencial para fazer qualquer arena balançar. Para a infelicidade dos fãs do heavy metal do grupo conhecido como Donzela de Ferro, isso não acontece mais. E o disco recém-lançado, The Final Frontier, é uma prova disso.
É compreensível pensar que os caras já estão na estrada há mais de 30 anos – o primeiro disco, homônimo, foi lançado em 1980 –, e que por isso, talvez, tenha acabado o gás para criar novas composições e, principalmente, poderosos riffs. Mas quem cresceu ouvindo os sucessos da banda ficará decepcionado com o novo disco. Em The Final Frontier, quase tudo traz uma sensação de “já ouvi isso antes”. Essa, porém, não é a pior fase vivida pelo grupo.
Quando o vocalista Bruce Dickinson saiu e foi substituído por Blaze Bayley, em 1994, a banda quase acabou. Os dois discos seguintes, The X Factor (1995) e Virtual XI (1998) foram destruídos pela crítica e pelos fãs. A redenção aconteceu em 2000 com o lançamento do disco Brave New World, com a volta de Dickinson. Mas nunca mais manteve a excelência. Veio o insosso Dance of Death, de 2003, sucedido pelo bom A Matter of Life And Death, três anos depois.
Após a turnê mundial deste disco, a banda inglesa liderada pelo baixista Steve Harris excursionou com Somewhere Back In Time World Tour, que passou duas vezes pelo Brasil, em 2008 e 2009, e revisitava todos os clássicos do grupo. Todos mesmo.
Por isso, não é surpresa a grande expectativa pelo novo disco da banda. Após dois anos só tocando as músicas da fase áurea, justamente os anos 80 e começo dos anos 90, a inspiração viria fácil, não? Mas não foi o que aconteceu. No novo disco, o Iron Maiden parece mais cansado após uma longa sequencia de shows do que inspirado pelos sucessos do passado.
The Final Frontier, ao ser analisado separadamente do resto da extensa discografia da banda – este é o 15º disco de inéditas –, tem qualidade. Nenhum grande hit, mas também nenhuma faixa que “obrigue” o ouvinte a parar. Como todo disco do Iron, a arte gráfica de The Final Frontier é objeto de atenção. O mascote do grupo, sempre presente nos shows, o morto-vivo Eddie, agora se encontra no espaço sideral. Nada acolhedor ou povoado como visto em Guerra nas Estrelas o Jornada nas Estrelas. É nesse cenário sombrio que começa o disco.
A primeira faixa, Satellite 15… The Final Frontier conta a história de um astronauta solitário, que perde contato com a Terra e navega sem rumo certo pela Galáxia, esperando o fim e desejando dizer adeus à família. Tem referência até ao personagem mitológico Ícaro, retratado em Flight of Icarus, do disco Piece of Mind, de 1983. “Tão próximo do Sol/ Eu certamente queimarei/ Como Ícaro antes de mim”, canta Dickinson, na música escrita em parceria por Steve Harris e o guitarrista Adrian Smith.
Sem grandes novidades, é possível ouvir cada faixa e tentar encaixá-la num determinado disco da banda. Starblind, por exemplo, poderia facilmente entrar no set list de Brave New World.
Apesar de tudo, os ingleses já estão em nova turnê. Se as músicas novas não empolgam tanto, Harris e companhia sempre podem animar as multidões com um dos clássicos da banda. E isso, com certeza, eles têm de sobra.

Lançamento:
‘The Final Frontier’
Iron Maiden
EMI
Preço: R$ 32,90

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