quarta-feira, 4 de agosto de 2010

JT - Montando o quebra-cabeça de Simonal

Jornal da Tarde

Na última Virada Cultural, viu-se uma cena emblemática. Nas proximidades do palco montado na Praça da República, no Centro de São Paulo, era praticamente impossível dar um passo para o lado, tamanha a quantidade de gente dançando e curtindo o som. No palco, nenhuma banda pop, sertaneja, pagodeira, ou que costuma frequentar os programas de auditório. Era o Baile do Simonal.
Nos microfones, seus filhos: Wilson Simoninha, 46 anos, e Max de Castro, 38. A idade do público era, em média, de 20 a 30 anos. Um pessoal que sequer tinha nascido no auge do cantor, que morreu em 2000. Wilson Simonal está sendo redescoberto. “No show, é impressionante ver a expressão de alegria das pessoas. É algo incrível”, diz Simoninha.
Na onda do redescobrimento do suingue de Simonal, é lançado o disco ‘México 70′, que surge como uma tentativa de completar o quebra-cabeça da sua discografia.Em 1970, ano que dá nome ao álbum, Simonal estava no auge. Viajava ao redor do mundo fazendo shows. Sua carreira internacional estava decolando.
Depois de uma turnê pela Europa, o Rei do Suingue fez uma pequena parada no Rio de Janeiro. Gravou algumas músicas e foi para o México, onde lançou um disco com faixas gravadas na capital fluminense. E por ali aquele álbum ficou. No Brasil, uma lacuna se manteve na discografia de Simonal. É a transição musical do cantor depois do disco’Joia’ (1970). Ele deixava o lado malandro e mergulhava no soul.
O responsável pela descoberta desse disco é o jornalista e DJ americano Greg Casseus. Em 2005, ele escrevia uma matéria sobre Simonal para a revista Waxpoetics. Para isso, entrevistou Simoninha e Max de Castro e acabou descobrindo o disco ‘Mexico 70′.
Logo, Greg entrou em contato com os filhos de Simonal, que começaram a procurar nos arquivos da gravadora – a extinta Odeon, hoje EMI. “Foi uma surpresa para lá de agradável. Fiquei encantado. Não esperávamos isso. Eram sete músicas inéditas”, conta Simoninha. Foram 5 anos até a raridade ser finalmente lançada.
“Fomos atrás dos originais. Foi um trabalho muito difícil. ‘Crioula’ e ‘Ave Maria do Morro’, por exemplo, tiveram de ser retiradas do próprio disco do Greg”, conta Max de Castro. “Depois, tivemos de remasterizar todas as faixas do disco”.
Simoninha tinha 6 anos quando viajou para encontrar o pai no México, em 1970, no lançamento do álbum por lá, e em seguida foram para os Estados Unidos. “Meu pai estava solidificando a carreira internacional. Ele queria lançar os discos nos EUA”, lembra. Ouvir ‘Mexico 70′ traz sensação de alegria.
Com a sua voz na potência máxima, Simonal flerta com a música internacional. ‘Raindrops Keep Falling’on My Head’ é saborosa. Nela, com seu gingado, o cantor desconstrói todas as versões anteriores. O mesmo acontece com ‘I’ll Never Fall In Love Again’. Mas as gravações em línguas estrangeiras do disco não param por aí. Há uma divertida versão em espanhol de ‘Aquarius’, e a italiana ‘Ecco Il Tipo Che Io Cercavo’, que faz parte da trilha sonora da novela Passione, da Globo.
Não que as faixas em português não sejam boas. São mais, tamanha a excelência de Simonal. É um destaque atrás do outro. A matreira ‘Kiki’ sobressai, apesar de mostrar um Simonal ainda muito ligado à malandragem. ‘Mexico 70′ não é um disco para se ouvir sentado. É para colocar para tocar e dançar, como uma justa homenagem a Wilson Simonal.

LANÇAMENTO
Mexico 70
Wilson Simonal
EMI Music
Preço: R$ 25

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