terça-feira, 10 de agosto de 2010

JT - Paris Le Rock: elétrico, dançante e sexy

Jornal da Tarde

Janis Joplin foi a primeira a ganhar destaque no rock. Isso nos idos dos anos 60. Na década seguinte, a presença feminina ficou ainda mais agressiva com The Runnaways e Blondie, lideradas por Joan Jett e Lita Ford, e Suzi Quatro. E não parou mais. No Brasil, foi quase simultâneo, com Rita Lee nos vocais de Os Mutantes, em 1966.
Elas abriram as portas, hoje escancaradas. Hoje, a banda americana Paramore e a baiana Pitty e são bons exemplos de que as mulheres têm espaço de sobra no rock’n’roll.
Os paulistanos do Paris Le Rock chegam para beber dessa fonte.Com disco homônimo recém-lançado (R$20) e show de estreia hoje, eles o fazem com uma originalidade incomum. Desde o som rasgado e pesado das guitarras de Alec Haiat até a voz sexy e aparentemente despretensiosa da bela vocalista Lia Paris, única mulher na formação da banda.
Alec e Lia se conheceram numa festa, em 2007. A falta de criatividade no rock atual foi o assunto principal da conversa. E, ali mesmo, decidiram criar uma banda. “Pensamos em algumas coisas diferentes, trazer o rock ao patamar original”, lembra a vocalista. Na época, Lia cantava numa big band de sax, baixo e guitarra e cavaquinho, que tocava de Led Zeppelin a Edith Piaf, em ritmo de samba.
A escolha pelo nome do grupo em francês foi natural. Alec Haiat é filho de libaneses que foram criados na França. “A língua oficial da minha família é o francês”, explica ele, que cresceu estudando em colégios franceses. Já a aproximação de Lia com o idioma é mais curiosa.
Aos 17 anos, depois de se formar no colégio, ela viajou para a Itália. Como já tinha feito aulas de circo no Brasil, passou a se apresentar com um grupo por lá. “Conheci artistas turcos, italianos, panamenhos e franceses, com os quais eu aprendi a língua”, diz. “Sempre gostei de música francesa e tenho facilidade para aprender idiomas”, explica ela, que ficou aquele ano fazendo espetáculos na rua e passando o chapéu para arrecadar dinheiro.
“Quisemos criar um nome que tivesse ligação com a sonoridade da banda. Esse nome remete ao glamour que queremos mostrar”, completa a vocalista. Também ligada à moda, Lia é amiga do estilista João Pimenta, responsável pelas roupas de visual moderno deles nos shows e videoclipes.
O disco de estreia é curto. Em 29 minutos, é possível ouvir as dez faixas. Nesse pequeno espaço de tempo, o ouvinte faz uma viagem por letras em português, inglês e francês. Graças à guitarra nervosa de Alec Haiat, o som nunca perde o peso. “Nunca fiz um som tão pesado”, conta Haiat, ex-guitarrista da Metrô, banda que fez sucesso nos anos 80 curiosamente com uma vocalista: Virginie. “Tentei tocar essas músicas com menos peso, mas não ficaram boas. Então ficamos assim (risos)”, diz. Marco Klein (baixo) e Ipojucã Villas-Boas (bateria) completam a banda.
Como única mulher, Lia tem uma regalia. “Nas turnês, eu fico em quarto separado. Mas só isso”, diz. Para Alec, ter uma mulher nos camarins não faz tanta diferença. “Ela é molecona, no bom sentido. Sempre entra nas bagunças.
Mas, às vezes, o assunto é masculino demais e ela faz aquela cara ‘o que estou fazendo aqui?’”, diz ele. “Trabalhar com a Lia é ótimo. Podemos tocar bem alto que ela consegue acompanhar com o vozeirão”. Com essa característica, Lia se impõe. Quando canta em francês, então, ela se destaca e deixa os marmanjos do rock babando. É a força da mulher roqueira

DIVIRTA-SE
Paris Le Rock.
Show de lançamento do CD.
Lions Night Club.
Av. Brigadeiro Luis Antônio, 277, Bela Vista.
Telefone: 3231-3705.
Hoje, à meia-noite. R$ 30 (mulheres) e R$ 50 (homens).

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