Jornal da Tarde
Ex-baterista do Sepultura ignora críticas e lança 1º CD do MixHell, que forma com a mulher
O que poderia ser um incômodo para um ex-baluarte do heavy metal - trocar o som pesado pela música eletrônica - parece não preocupar Iggor Cavalera. O ex-baterista do Sepultura juntou os neurônios com sua mulher, Laima Leyton, e criou o projeto MixHell, em 2004. Agora, lançam o primeiro disco homônimo à formação.
“Minha fixação pela música eletrônica veio com o hip hop no final dos anos 80. Comecei a prestar atenção nos beats e nas pessoas sampleando os diversos sons. Depois fui atrás de outras coisas que estavam dentro do rock, mas que ousavam como Prodigy, Soulwax e LCD Soundsystem”, fala Iggor.
Os 40 anos que o músico vai completar ainda neste ano dão a tranquilidade necessária para tocar este projeto, especialmente por ter trocado o kit de bateria pelas pickups. “Talvez há 20 anos eu ficasse encanado em dividir o cara do heavy metal e da música eletrônica. Hoje, não existe essa divisão. Tudo é música.”
Os fãs do Sepultura, segundo ele, não têm acesso ao seu novo som. “Toco em clubes de disco music, lugares que o público de heavy metal não frequenta. As únicas críticas negativas que chegam são pela internet, mas estou acostumado. Desde a época do Sepultura essas pessoas se escondem por trás do computador.”
Pai de cinco crianças, ele fala sobre o CD: “São músicas que gostamos de tocar, de produtores com quem nos apresentamos e nos divertimos na noite, como o Diplo, N.A.S.A., Huoratron. Mas já estamos gravando outro CD com músicas próprias para sair este ano.”
Paralelamente, Iggor vai voltar a tocar com Max Cavalera, seu irmão, no projeto Cavalera Conspiracy. “Vou para Los Angeles em abril. Já trocamos vários CDs com ideias de bases para o segundo disco. Com certeza terá um pouco mais a influência do MixHell, com um lance mais eletrônico. Sempre falamos de muitas referências. Por isso deu muito certo.” Iggor conta como a comunicação com o irmão é difícil. “O Max não tem e-mail nem celular. Para trocarmos os sons, só mandando os discos pelo correio.”
Uma eventual reunião do Sepultura, ideia que circula pela internet, não é descartada. “Já recebemos propostas, mas nenhuma sólida. Boatos rolam a toda hora. Quem eu mais encontro do Sepultura é o Dereck (Green, vocalista), que sai mais para as baladas.”
sexta-feira, 5 de março de 2010
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