terça-feira, 21 de setembro de 2010

JT - Eles cantam as lamúrias e as tristezas do mundo

Jornal da Tarde


Agudos, ecos extravagantes e overdubs. Graves exagerados nos instrumentos e o agudo estridente da voz de Anne Nurmi. O resultado é uma música lamurienta, triste e solitária. Na hora do refrão, quem assume o comando do microfone é Tilo Wolff, acompanhado de orquestra, guitarras e bateria, o que aumenta em um tom as notas da música. É assim o som da banda Lacrimosa, que já traz no nome do grupo o tipo de canção que costumam compor. Eles se apresentarão hoje, às 21h, no Carioca Club, em Pinheiros.
“Existem bandas tristes e existe o carnaval”, diz o vocalista Tilo Wolff, que conversou com o JT por telefone de sua casa, na Alemanha. “O Brasil é um país feliz, com canções alegres. Mas existe sempre um outro lado. Nem sempre tudo é feliz. Temos emoções profundas”, diz o vocalista, falando a respeito do som que sua banda costuma fazer. “As pessoas têm de ouvir outro tipo de música. É como comer pizza todo dia. Uma hora você vai enjoar. Somos como um tipo diferente de comida, para as pessoas não enjoarem de comer sempre a mesma coisa”.
A Lacrimosa é conhecida por compor canções tristes. Por vezes, a banda é classificada como gótica. Eles fazem jus a esse título, já que se vestem de preto, abusam na maquiagem pesada e cortes de cabelos exuberantes. Além disso, boa parte das capas de seus discos são em preto e branco. Mas Wolff não se apega a rótulos. “Não gosto de categorias. Gosto de dizer que fazemos um rock emocional, porque temos muita influência do blues, jazz, música clássica e heavy metal”, diz ele. E, na hora de compor, a inspiração vem do cotidiano. “A inspiração continua a mesma do início da carreira. No dia em que minha vida se tornar totalmente entediante, eu não vou mais ter inspiração para escrever. Enquanto isso não acontecer, vou continuar compondo o que sinto. Essa é a forma pela qual eu me expresso”.
Wolff avisa que o repertório do show será um apanhando de canções de toda a carreira da banda, mas não será uma espécie de “O melhor de Lacrimosa”. “Nossos fãs gostam de ouvir músicas diferentes nos shows. Interpretaremos canções que foram pouco ou nunca interpretadas no palco”. O último álbum da banda, Schattenspiel (algo como ‘Jogo de Sombras’, em alemão), comemora os vinte anos de carreira, com duas canções inéditas: Sellador e Ohne Dich Ist Alles Nichts. O show faz parte dessa comemoração. “Adianto que tocaremos uma dessas músicas inéditas no show”.
Sobre o público brasileiro, Wolff diz que os considera apaixonados e emocionais. “Também somos emocionais. Acho que o público brasileiro é como nós: se dedica 100% àquilo que ama. Vocês têm o coração aberto. É uma conexão muito forte”. Parte das letras das músicas do Lacrimosa também falam de Deus. “Minha crença em Deus é o centro da minha vida e reflete muito na música que fazemos. Deus é uma de minhas inspirações. A crença em Deus é um dos muitos aspectos da nossa música”, conclui Wolff.

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