terça-feira, 28 de setembro de 2010

JT - Outubro, o mês dos hermanos

Jornal da Tarde

A relação entre o ser humano e o tempo é curiosa. São 565 dias desde a última apresentação ao vivo. Foi em São Paulo, em 22 de outubro, no festival Just a Fest, no qual o Los Hermanos tocou com Radiohead e Kraftwerk. Para os músicos, talvez não seja tanto tempo. Já para os fãs…
No mês que vem, o mostrador da máquina do tempo voltará para algum dia antes daquele 24 de abril de 2007, quando uma nota no site oficial do grupo dava uma triste notícia: o quarteto entrava em recesso, por tempo indeterminado. Pelo menos neste outubro, será como se eles nunca tivessem dado um tempo. São cinco shows agendados, em Itu, no interior de São Paulo, e no Nordeste.
A mini-turnê começa no SWU, no primeiro dia do festival de música que acontece entre os dias 9 e 11. Depois, a banda rumará para Recife, onde faz show no dia 15, Fortaleza (16) e Salvador (17 e 18).
A princípio, essas apresentações não seriam abertas ao público. Os quatro hermanos haviam encontrado datas em suas agendas, mas esses shows fechados foram cancelados. “Estávamos animados para tocar. Daí, conversamos e pensamos: ‘Por que não?’”, conta Rodrigo Barba, baterista da banda.
Como as datas já estavam marcadas na agenda, acertar as apresentações abertas foi fácil. “Resolvemos encarar essa”, diz Barba. A notícia dos shows no Nordeste causou tanto furor entre os fãs que a apresentação em Salvador, na Concha Acústica (com 5,5 mil lugares), por exemplo, teve seus ingressos esgotados em duas horas. Como forma de agradecimento, a banda marcou mais um show, na noite seguinte – e já não há mais bilhetes. A alta procura pegou os quatro amigos desprevenidos. Conhecido por ser o pessimista do grupo, Barba não imaginava que, depois de mais de três anos de recesso, os fãs ainda enfrentariam filas para vê-los. “Acompanhei pela internet toda a repercussão que teve. Fiquei até assustado”, diz.
Mas os fãs de Los Hermanos são assim mesmo. Entre as bandas brasileiras, talvez eles sejam os mais radicais. Até por isso, uma volta aos palcos, mesmo que temporária como esta, significa pressão sobre o desempenho do quarteto. Em outubro do ano passado, quando tocou antes do Radiohead, a banda pareceu estar fora de sincronia. Fruto dos três anos de separação, longe do repertório que formou os quatro discos de estúdio do grupo ‘Los Hermanos’ (1999), ‘Bloco do Eu Sozinho’ (2001), ‘Ventura ‘(2003) e ’4 ‘(2005).
Para evitar que isso se repita, eles ensaiarão durante as duas primeiras semanas de outubro para as cinco apresentações. O set-list, porém, ainda é segredo. Barba garante que a lista de músicas a ser tocadas ainda não foi decidida. “Para o festival, teremos só uma hora de apresentação. É difícil escolher o repertório, né?”, diz. Será durante os quatro shows no Nordeste que a banda terá oportunidade de explorar mais o repertório, com duas horas sobre o palco. Os quatro hermanos discutem o assunto com frequência, via e-mail. “Estou fazendo um lobby por ‘Paquetá’ (do disco ’4′)”, explica Barba, relembrando a música com percussão latina.
Durante a entrevista, Rodrigo Barba deu alguns indícios de estar ansioso pela volta oficial do quarteto. Quando perguntado se a banda soaria diferente depois de três anos em projetos paralelos, ele garante que não, pelo menos nestes cinco shows. “Eu espero que tenhamos uma sonoridade diferente, mas não agora. Até porque só vamos tocar coisas antigas. E o passado está impregnado. Essas diferenças só serão sentidas quando formos criar arranjos juntos, de novo”. Isso quer dizer que eles voltarão logo? “É uma fantasia minha. Mas precisamos esperar cada um terminar essas empreitadas. Tá todo mundo fazendo um monte de coisa. Quem sabe em um ano?” Pois é. Para eles, o tempo parece passar rápido.

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