Jornal da Tarde
Sabe aquelas bandas de colégio, formadas por pré-adolescentes que tocam seus instrumentos no último volume? Aqueles que sempre incomodam a vizinhança, mas nunca estão nem aí? E se eles crescessem, melhorassem em termos musicais, mas mantivessem o espírito jovem das canções? Daria certo? Os cariocas da banda Do Amor mostram que sim. E fazem, hoje, o show de estreia do novo disco, homônimo, no Estúdio Emme.
Quando os caras dizem que tocam juntos desde criança não é exagero. Marcelo Callado (voz e bateria) e Gabriel Bubu (voz e guitarra), ambos de 31 anos, estudaram juntos dos 4 aos 11, no Leblon. Depois, mudaram para escolas diferentes, no Botafogo. Callado conheceu Gustavo Benjão (voz e guitarra), hoje com 32 anos, enquanto Bubu encontrou Ricardo Dias Gomes (baixo e voz), 30.
Aos 14 anos, os amigos resolveram formar uma banda, com esses quatro integrantes. Pronto. Os vizinhos da casa da avó de Callado, onde a os garotos ensaiavam, também no Botafogo, nunca mais teriam sossego. “Tinha gente que jogava gelo e ovo na casa, por causa do barulho”, conta Callado.
Acontece que, para a felicidade dos vizinhos, os meninos cresceram. E os ovos foram trocados por aplausos. Os tais garotos barulhentos continuaram tocando. Bem acompanhados, aliás. Callado e Ricardo integram a banda de Caetano Veloso. Já Bubu foi baixista do Los Hermanos, de 2001 até 2007. Os quatro ainda formam a banda da cantora Nina Becker, além de tocar com Jonas Sá, Rubinho Jacobina e Lucas Santtana.
Em 2007, encontraram um tempo livre e resolveram lançar um EP de cinco músicas. O difícil foi escolher um nome para a banda. Foi Bubu quem sugeriu, sem mais nem menos, o Do Amor. O nome foi logo aprovado. “Tem muito a ver com a gente. É o amor que sentimos um pelo outro. Uma amizade muito duradoura”.
Em 2008, começaram a trabalhar no disco de estreia, terminado apenas no ano seguinte. O lançamento do álbum ‘Do Amor’, porém, só aconteceu este ano, com a ajuda dos selos + Brasil Música e Estúdio 304, de Chico Neves, também o produtor do CD.
Embora a adolescência tenha ficado – há muito tempo – para trás, os rapazes conservam o bom humor despretensioso de antes. O amor que dá nome ao disco e à banda é cantado com uma divertida malícia. ‘Vem me Dar’, por exemplo, abre o CD com os versos: “Ah, vem me dar / Antes que eu me esqueça, por favor”.
É um bom cartão de apresentação, mas a miscelânea de estilos dos cariocas é uma das características fortes. ‘Chalé’, por exemplo, é um rock moderno, quase erótico, com letra cheia de segundas intenções. A música ‘Morena Russa’ é um samba-rock de primeira. E há espaço até para o carimbó, ritmo típico do Pará, em ‘Isso é Carimbó’.
Essa liberdade musical – que permite transitar por gêneros tão diferentes – também dá espaço para mostrar, por exemplo, vocais desafinados de propósito, em ‘Dar Uma Banda’. “Eu também gostaria de ter uma banda/ Que falasse as coisas bonitas e bacanas/ Todo o dia e toda semana/ Só quero ficar plantando banana”, entoam. A banda Do Amor faz um trabalho sério, sim. Adulto. Mas sem perder a criatividade dos tempos em que eram apenas alvo de ovos voadores dos vizinhos.
Divirta-se:
Show Do Amor.
Hoje, às 23h30.
Estúdio Emme (1.000 lug.).
R. Pedroso de Moraes, 1.036, Pinheiros.
Tel: 3031-3290.
Ingressos: R$ 20.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
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