Jornal da Tarde
Em meio ao movimento grunge que explodia no início dos anos 90, o Smashing Pumpkins crescia no cenário musical, fugindo das comparações com Nirvana e Pearl Jam. Em 1993, eles já tinham dois discos lançados, sendo o último, ‘Siamese Dream’, nomeado para o Grammy como melhor disco alternativo e melhor performance de hard rock.
Liderados por Billy Corgan, estavam na crista da onda. Cinco amigos, reunidos em Nova York, riam com uma letra que tirava sarro do sucesso de Corgan e companhia. Os versos “Fora em turnê com o Smashing Pumpkins / Crianças da natureza / Eu e eles não temos função / Não entendo uma palavra do que eles dizem / E eu posso realmente não dar a mínima”, criados por Stephen Malkmus, pertenciam à música recém-criada ‘Range Life’, laçada no ano seguinte, no álbum ‘Crooked Rain, Crooked Rain’. Na mesma música, logo em seguida, eles disparavam contra o Stone Temple Pilots – “Eles são elegantes, solteiros / Para mim eles são sexy. Eles são sexy para você?”
Eles não eram crianças brincando. À época, a idade da turma variava entre 26 e 40 anos. Juntos, eles formavam o Pavement. Alcançaram o auge criativo e, mais, criavam um novo estilo musical. ‘Range Life’, por exemplo, é um hino do rock alternativo, graças ao estilo descompromissado de Malkmus ao cantar. Até seu desafinar, ao tentar alcançar as notas mais agudas, era acompanhado pelos outros instrumentos. Por coisas assim, o Pavement nunca encontrou espaço na música comercial. Ainda assim, eles conquistaram fãs fervorosos e tiveram cinco discos muito bem avaliados pela crítica, de 1989 a 1999, quando a banda chegou ao fim. “Estávamos cansados de tudo isso. A música estava caminhando em direção às batidas eletrônicas. Acho que a gente não precisava disso”, explica Bob Nastanovich, percussionista da banda, por telefone ao JT, de Kansas City, nos EUA.
Detalhe: Nastanovich fala, no presente, como percussionista da banda. É que, em setembro de 2009, o Pavement anunciou uma turnê de despedida para este ano. E o Brasil entrou no cronograma. “Durante os anos 90, tivemos algumas oportunidades de ir até a América do Sul. Mas nunca deu certo”, disse o músico.
Eles vão tocar no Planeta Terra Festival, no dia 20 de novembro. A entrada da banda está marcada para às 23h30. E, por uma daquelas coincidências que fariam aquela tia ranzinza dizer “eu te avisei”, o Smashing Pumpkins – justo eles, daquela música de 1993 – subirão ao palco logo em seguida. “Nossa, é mesmo?”, surpreende-se Nastanovich, que não sabia do fato. “O Stephen (Malkmus, vocalista do Pavement) é sabichão e irônico. Ele quis ser engraçado. Sequer se preocupou em ferir os sentimentos de alguém. Mas os caras do Smashing Pumpkins e Stone Temple Pilots deveriam esperar que, por ser bem sucedidos, eles seriam alvos”, diz.
Mas a pergunta que não quer calar é: eles vão tocar a música que critica o Smashing Pumpkins no Brasil? “É claro! Se eles ficarem chocados, é porque não têm senso de humor. Mas não nos importamos. Temos nossos fãs. Eu tento não pensar naquele cara Billy Corgan, vocalista do Pumpkins). Ele é muito chato para mim”. Para os fãs brasileiros, é, talvez, a única oportunidade de ver a banda ao vivo, com a formação quase igual àquela de 1993, da época da gravação de ‘Range Life’ – o baterista Gary Young foi substituído por Steve West. “É uma turnê para colocar a cereja no bolo”, conclui Nastanovich.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário