Jornal da Tarde
Festival Rec-Beat termina consagrando bandas como Ojos de Brujo e Madensuyu.
Diz a língua do povo que tem caráter de novo tudo aquilo que a gente não conhece. É novidade para quem vê de fora, portanto, desde o rock experimental da dupla belga Madensuyu e o “índio” rock da banda acreana Caldo de Piaba, até o trabalho de um veterano do coco, o arrebatador Mestre Galo Preto, e bandas de rock instrumental da capital pernambucana. Essas foram algumas das revelações da 15ª edição do festival Rec-Beat, que acontece no meio do Carnaval Multicultural do Recife.
Além do mais, nos intervalos entre os shows, o DJ Patrick TOR4 engrossava o caldo com uma infinidade de sons diferentes e contagiantes de toda parte do planeta, misturando kuduro angolano, afrobeat, tecnobrega, música dos Bálcãs, até clássicos tropicalistas, frevos carnavalescos e novidades nacionais, como a BaianaSystem, e latino-americanas. Vale ainda destacar os vídeos criados pela VJ Milena Sá, que marca presença há quatro anos no Rec-Beat, com minucioso trabalho de pesquisa e tratamento de imagens, em sincronia com o estilo de cada banda.
A festa terminou ontem de madrugada com a união de duas bandas de Olinda, Eddie e Orquestra Contemporânea de Olinda. Deixaram sua marca artistas mais conhecidos no, digamos, circuito alternativo do eixo Rio-São Paulo, como Lucas Santtana, Renegado, Cidadão Instigado, Céu e Stela Campos, além da Eddie.
Nem tudo foi de agrado geral, mas os riscos foram válidos. O projeto eletrônico dos argentinos King Coya + La Yegros foi o que menos empolgou. A banda pernambucana Volver, bastante popular por aqui, arrebatou os fãs, mas é artisticamente fraca, falta personalidade. Zé Manoel é um potencial talento a se desenvolver. Na ponta oposta, Céu parece mais um ponto brilhante no star system. Uma das atrações de maior público no festival, ela caiu nas graças da multidão.
No entanto, soou vagarosa demais depois da espetacular e fervorosa sequência do Madensuyu (que significa água mineral em turco) e da banda espanhola Ojos de Brujo. A dupla belga, que toca amanhã no Sesc Pompeia, fez talvez o melhor show do festival. É apenas guitarra e bateria, mas o resultado é tão estrondoso quanto o de uma superbanda.
Os espanhóis trouxeram uma potente mescla de rumba catalã, hip-hop, ragga indiano, flamenco, dub, ska, música cigana e otras cositas más. Saíram consagrados, como os colombianos do Puerto Candelária. Já os mexicanos do Cabezas de Cera, que tocam sábado no Sesc Pompeia, causaram estranhamento.
Já o veterano Mestre Galo Preto mostrou seus fluentes e contagiantes cocos da fronteira de Pernambuco com Alagoas, só à base de voz e percussão, com muito improviso, sutileza e rimas ricas.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
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