quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

JT - No bonde do MC Scooby, o funk é cantado ao vivo

Jornal da Tarde

As três letras da placa do táxi de Francisco Liberalino de Souza, 43 anos, formam um gênero musical: EMO. Nada a ver com o som que rola no CD player do seu carro. “Sou o MC Scooby. Eu coloco minhas músicas para todos os passageiros ouvirem. Tirando o pessoal mais idoso, todo mundo gosta”, garante. Com funks simples e sacanas, Scooby já arregimentou uma legião de fãs clientes e emplacou um vídeo com mais de 80 mil acessos no YouTube.
“Quero chegar ao topo. Ser entrevistado pelo Jô Soares e trabalhar no Pânico (programa da Rede TV!), mas não como o Zina (humorista preso por porte de arma) que se perdeu um pouco”, avisa o cantor. Mas seu maior sucesso, Balada do Timão, tem uma letra tão “proibitiva” que os curiosos terão de escutá-la em seus próprios computadores. Só é possível dizer que ela é baseada naquela marchinha de carnaval imortalizada na voz de Silvio Santos (Pipoca, meu bem, pipoca/ Tem pro paulista...).
MC Scooby nasceu em Fortaleza. Ele chegou a São Paulo com a família em 1976. Vítima de paralisia infantil, encontrou dificuldades para conseguir o primeiro emprego. Fez bico como office-boy, estoquista de supermercado e cobrador de ônibus, até conseguir entrar para uma frota de táxi. “Ninguém acreditava que eu pudesse me superar e ser essa pessoa bem- humorada que sou.” O apelido Scooby veio de um cachorrinho daqueles que movimenta a cabeça, que ficava no painel do carro.
Como não bastava ter um táxi, Scooby buscou um diferencial. Especializou-se em atender clientes em baladas. “Tem gente que só sai comigo. Não me importo em levar quatro ou cinco jovens no meu táxi. Gosto de festa”, fala.
Scooby costuma receber seus passageiros com imitações, piadas e músicas próprias. Uma noite, compôs um refrão para uma passageira e recebeu elogios rasgados. “Daí comecei a criar músicas aqui no táxi mesmo, dirigindo e inventando coisas.”
O taxista cantava suas letras cheias de duplo sentido sempre a capela. Mas seu status como artista começou a mudar quando um amigo pediu para que ele gravasse sua voz e esperasse por cerca de duas semanas. “Ele fez os arranjos no computador e gravou um CD meu”, diz. A partir daí, Scooby passou a se auto-piratear e a entregar seus CDs, gratuitamente, aos passageiros.
Mas o que o levou a cair nas graças do povo foi seu vídeo no YouTube. Essa maravilha da estética trash (que pode ser encontrada como Balada do Timão) conta com a performance do próprio Scooby ao lado de duas dançarinas. “Quero bater nas 100 mil visitas assim que a matéria sair”, planeja.
Depois de alcançar fama e dinheiro com seu trabalho como MC, Scooby também quer ter acesso às esferas do poder. “Quero pedir ao prefeito Kassab que faça uma lei garantido cotas em pontos de táxi para motoristas portadores de alguma deficiência”.

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