Jornal da Tarde
Banda Lafayette e os Tremendões apresenta sucessos da Jovem Guarda hoje, no Sesc Pompeia.
Lafayette Coelho Vargas Limp, de 65 anos, ajudou a inventar a Jovem Guarda. Virtuoso pianista, era o favorito dos músicos da época. Mas até pouco tempo, ele era quase um ilustre desconhecido, atuante no circuito de churrascarias de Niterói, no Rio de Janeiro. E foi em uma dessas apresentações que veio um convite inesperado. O vocalista do Autoramas, Gabriel Thomaz, que assistiu ao show inteiro, disse que tinha planos de montar uma banda só para tocar sucessos do passado. Pronto. Estava formada a Lafayette e os Tremendões, banda que lança hoje seu primeiro CD, As 15 Super Quentes, no Sesc Pompeia, às 21h. Antes deste álbum, o grupo gravou no seu primeiro ano de formação um compacto de sete polegadas com dois hits, no estilo retrô.
“O Gabriel me disse que só faltava um tecladista na banda”, diz Lafayette. “Gostei do clima do pessoal. Todos jovens e apaixonados pela Jovem Guarda.” A banda é formada por músicos de grupos do cenário underground carioca, como Renato Martins, do Canastra; Nervoso, do Nervoso & Os Calmantes; Melvin Fleming, do Carbona e Érika Martins, da extinta banda Penélope. Marcelo Callado é baterista de Caetano Veloso.
Dentre os sucessos eternizados pelo órgão Hammond B-3 de Lafayette estão as canções Quero Que Tudo Vá Para o Inferno e Não Quero Ver Você Triste Assim, ambas incluídas no set list do show de hoje. “Roberto Carlos não canta mais Quero Que Tudo Vá Para o Inferno. Por isso só a apresentamos ao vivo e não a gravamos no nosso disco. Posso dizer que este é o ponto alto do show”, diz Lafayette.
Aliás, nenhuma das canções gravadas no álbum é de autoria de Roberto, mas muitas das selecionadas ficaram imortalizadas em sua voz. “Foi uma artimanha que tivemos de usar para poder fazer esse CD, porque o Roberto não autoriza ninguém a gravar suas composições”, completa. O único artista que conseguiu autorização para gravar um disco inteiro com canções do Rei foi Cauby Peixoto - Cauby Interpreta Roberto (2009).
Lafayette conta que a escolha das músicas para este álbum foi feita por Thomaz e dentre elas estão É Papo Firme, Esqueça e Você Não Serve Para Mim, sucessos na voz de Roberto Carlos. Outros integrantes da Jovem Guarda também são lembrados e homenageados. A começar pelo nome da banda: Tremendões, referência direta ao apelido de Erasmo Carlos. Dele, o grupo gravou O Pica Pau. Mas há espaço para Wanderléa, com Pare o Casamento; Silvinha, com Vou Botar Pra Quebrar; Jerry Adriani, com Um Grande Amor, e Eu e Você, do Brazilian Bitles. Tem até uma faixa internacional, o sucesso francês Je t’aime Moi Non Plus, de Serge Gainsbourg.
“É curioso porque o público vai de jovens até os mais velhos, que foram fãs da Jovem Guarda”, conta Lafayette. “Quando fizemos nossa primeira apresentação, achava que só teria velhos, mas para minha surpresa, o local estava com uns 80% de jovens.” Para compor o clima retrô, a banda também conta com um figurino bem ao estilo sessentista.
No compacto de sete polegadas que gravaram em 2006, os Tremendões escolheram para o lado A do disco uma composição inédita, O Pão Duro, dada de presente à banda por Getúlio Cortês, autor de Negro Gato. No lado B, gravaram Pare o Casamento.
Lafayette, a despeito da fase que quase o relegou ao esquecimento, hoje é visto pelo público em geral, especialmente o jovem, como uma figura cult. Não faltam a ele convites para novos shows e ideias para trabalhos. “Estou cheio de novos projetos”, diz o tecladista, sem esconder a empolgação. “Tenho minha banda Lafayette e Seu Conjunto, com quatro pessoas. E agora estou formando uma big band com 40 integrantes.”
DIVIRTA-SE
Lafayette os Tremendões. Hoje, às 21h. Sesc Pompeia:
Rua Clélia, 93. 3871-7700.
Ingressos: de R$ 4 a R$16. 18 anos. Lotação: 800 pessoas.
www.sescsp.org.brL
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
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