Jornal da Tarde
A banda, que já havia cancelado shows no Brasil, levou 68 mil ao Morumbi no sábado.
Bandas de rock e estereótipos caminham de mãos dadas. O típico roqueiro teria de carregar os genes de Jimi Hendrix, Jim Morrison, Keith Moon e seguir a cartilha do ‘sexo, drogas e rock’n’roll’. Aulas de ioga, corridas matinais, alimentação saudável e a presença de mulheres e filhos durante uma turnê ‘rock pauleira’ fogem do roteiro. Após duas horas de apresentação, no sábado à noite, o Metallica não só saciou 68 mil pessoas no Morumbi, na zona sul, como mostrou que ‘caretice’ e rock pesado podem andar juntos.
A vida regrada explica que senhores de quase 50 anos tenham à disposição 60 músicas ensaiadas - para pinçar oito a cada apresentação. O grande telão no fundo do palco, os fogos e as chamas como adendo cenográfico, além da sequência Heavy Metal Thunder, do álbum Saxon, colada à canção The Ectasy of Gold, de Ennio Morricone, antes de Creeping Death, são os únicos pontos previsíveis de cada concerto. No mais, é torcer para que a música preferida esteja entre as escolhidas de James Hetfield (vocal e guitarra), Kirk Hammett (guitarra), Lars Ulrich (bateria) e Robert Trujillo (baixo).
Em entrevista coletiva, na tarde do primeiro show em São Paulo, Ulrich contou como o grupo desenha o ‘set list’ de cada show. “Antes, tínhamos de avisar à equipe de luz e telão com alguns dias de antecedência se iríamos trocar alguma canção. Hoje, não. É tudo de última hora e eles se viram”, disse. O leque de possibilidades fez com que canções como The Four Horsemen e Motorbreath - do primeiro álbum, Kill 'Em All, de 1983 - chocassem os fãs da velha-guarda enquanto Hetfield ensaiava seu português com frases curtas: “Estão prontos?” e “obrigado”.
Antes de Broken Beat and Scarred, do último CD Death Magnetic (2008), o vocalista emendou, desta vez em inglês: “Muito obrigado por nos apoiarem nos momentos mais difíceis e nos bons momentos, como agora.” Ele não citou o cancelamento dos shows no Brasil, em 2003. Quando falou sobre o assunto, na passagem por Buenos Aires, recebeu uma sonora vaia.
O vocalista ainda dedicou uma música ao Sepultura: Sad But True, do Black Album, de 1991. Ironia? Canções como Master of Puppets, Enter Sandman e Blackened levantaram as famílias e casais da pista Vip, de R$ 500. O cover escolhido para a noite foi Stone Cold Crazy, do Queen. Centenas de palhetas de guitarra foram arremessadas após Seek and Destroy. Os sorrisos, nos rostos de banda e plateia, eram a prova de que naquela noite o ‘rock família’ havia vencido outra batalha .
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
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